RISCO SILENCIOSO
SOBRAC alerta: Arritmia cardíaca é subdiagnosticada em mulheres
Doença cardiovascular mata 8,5 milhões de mulheres anualmente, 1/3 dos óbitos globais.
A arritmia cardíaca representa uma ameaça silenciosa e subdiagnosticada para milhões de mulheres globalmente, um cenário que a médica Thais Aguiar do Nascimento, cardiologista e coordenadora de Cardiopatia na Mulher da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), trouxe à tona nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. Em entrevista à CNN Brasil, no Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, a especialista enfatizou como as particularidades biológicas e as pressões sociais femininas obscurecem o diagnóstico de uma condição que contribui para os 8,5 milhões de óbitos anuais por doenças cardiovasculares, um terço do total de mortes femininas. A urgência de reconhecer e tratar essa condição é crucial para preservar a vida e a dignidade de inúmeras mulheres.
Thais Aguiar explicou que as mulheres possuem variações biológicas e hormonais distintas dos homens, impactando diretamente a saúde cardíaca. “Essas variações, que ocorrem durante o ciclo menstrual, a gestação e o climatério, influenciam diretamente o sistema elétrico do coração. Após a menopausa, uma queda no estrogênio, hormônio que exerce efeito protetor nos vasos sanguíneos, aumenta a suscetibilidade às arritmias”, alertou a cardiologista.
As alterações hormonais impulsionam a ativação do sistema nervoso simpático (SNS), que prepara o corpo para emergências e eleva a adrenalina. Esse processo favorece o surgimento de extrassístoles e torna mais frequentes episódios de arritmias, como fibrilação atrial e taquicardias. Além dos fatores biológicos, o estresse e o sedentarismo intensificam as chances de desenvolver a condição, ampliando ainda mais o risco para a saúde feminina.
O desafio do diagnóstico em mulheres
A especialista da SOBRAC destacou que a arritmia ainda é subdiagnosticada entre as mulheres, o que significa que é identificada com menos frequência do que deveria. “Socialmente, muitas são condicionadas a não valorizar ou relatar sintomas. Além disso, os sintomas femininos costumam ser mais atípicos, o que faz com que diversas vezes sejam atribuídos a outras causas, como estresse ou ansiedade”, explicou Thais Aguiar.
Os estudos revelam que as mulheres tendem a procurar menos atendimento médico, são menos incluídas em pesquisas e, por consequência, recebem menos diagnósticos e tratamentos adequados. Essa lacuna no cuidado compromete a saúde e a qualidade de vida, muitas vezes de forma irreversível.
Sintomas de alerta para a arritmia cardíaca
É fundamental que as mulheres estejam atentas a qualquer sinal incomum em seu corpo. Os principais sintomas de arritmia incluem:
- Palpitações;
- Sensação de coração acelerado ou irregular;
- Falta de ar;
- Tonturas;
- Desmaios;
- Cansaço excessivo.
A identificação precoce desses sinais pode salvar vidas e garantir um tratamento mais eficaz, reforçando a importância da conscientização e do cuidado contínuo com a saúde cardíaca feminina.
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