SAÚDE E PREVENÇÃO
Gordura abdominal é indicador mais preciso de risco cardíaco que IMC
Estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology sugere que circunferência da cintura e relação cintura-quadril revelam riscos invisíveis ao IMC.
A gordura acumulada na região abdominal pode revelar o risco de doenças cardiovasculares de forma mais precisa do que o uso isolado do índice de massa corporal (IMC). A conclusão é fruto de uma investigação publicada no Journal of the American College of Cardiology, que acompanhou quase 260 mil pessoas durante duas décadas.
O levantamento comparou as categorias tradicionais de peso com a circunferência da cintura (CC) e a relação cintura-quadril (RCQ). O objetivo foi entender se a adiposidade central — o acúmulo de gordura na região abdominal — oferece um prognóstico melhor para a saúde do coração do que o peso total dividido pela altura ao quadrado.
A pesquisadora Zeina A. Dardari, autora principal do trabalho, destaca que confiar apenas no IMC pode resultar em diagnósticos imprecisos. Segundo ela, indivíduos com peso considerado normal pelo IMC, mas com altos índices de gordura abdominal, enfrentam maior vulnerabilidade a desfechos cardiovasculares.
Cristóbal Morales, responsável pela Unidade de Saúde Metabólica, Diabetes e Obesidade do Hospital Vithas Sevilla e membro da Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade (SEEDO), avalia que os dados corroboram o perigo da gordura visceral. “O estudo fundamenta a ideia de que não importa o peso total, mas onde está esse peso e, sobretudo, a gordura visceral”, explica.
Entre os riscos monitorados pelo estudo estão o Infarto, o Acidente vascular cerebral (AVC), Insuficiência cardíaca, Fibrilação atrial e Doença arterial coronariana. Resultados indicam que, em pessoas com peso normal ou sobrepeso, o excesso de circunferência abdominal elevou em até 50% o risco desses problemas.
Especialistas como Andreea Ciudin, endocrinologista e coordenadora da Unidade de Obesidade do Hospital Vall d'Hebron, recomendam a inclusão dessas medidas como complemento, e não substituição, ao IMC na prática clínica. A facilidade de aplicação, por ser um procedimento rápido e barato, torna a análise da cintura uma ferramenta valiosa para a medicina preventiva.
É importante ressaltar que o estudo é observacional e possui limitações, como a Falta de informações detalhadas sobre dieta, genética e níveis de atividade física. Embora não estabeleça uma relação definitiva de causa e efeito, a pesquisa reforça que a avaliação da composição corporal é vital para uma saúde cardiovascular mais rigorosa e humanizada.
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