BUSCA POR VIDA
Sinais de vida extraterrestre podem estar em frequências inexploradas
Estudo utiliza dados do observatório ALMA para monitorar espectros de rádio ignorados pela ciência tradicional.
Possíveis sinais enviados por civilizações extraterrestres podem estar ocultos em uma faixa do espectro de rádio que recebeu pouca atenção científica até hoje. A descoberta foi detalhada em um estudo apresentado nesta semana no Reino Unido, que marca a primeira busca sistemática por inteligência fora da Terra utilizando o conjunto de antenas ALMA, localizado no deserto do Atacama, no Chile.
Em vez de realizar novas captações, a equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Manchester optou por reanalisar dados astronômicos já armazenados. Tradicionalmente, as buscas por vida inteligente concentram-se em frequências específicas, situadas entre as emissões naturais de hidrogênio e hidroxila — componentes da água —, consideradas por muitos como um canal lógico de comunicação espacial.
O novo trabalho inova ao investigar frequências mais altas e estreitas, que dificilmente seriam geradas por fenômenos naturais. Embora as quatro observações analisadas não tenham revelado candidatos a transmissões tecnológicas, o resultado não invalida a existência de vida extraterrestre, apenas delimita a ausência de sinais nas regiões específicas do espectro examinadas.
“Durante décadas, as buscas por inteligência extraterrestre se concentraram em uma parte relativamente pequena do espectro de rádio. Queríamos saber o que poderia acontecer se procurássemos em uma região muito diferente”, afirmou Louisa Mason, doutoranda em astronomia e autora da pesquisa.
Além de explorar novas frequências, o estudo trouxe uma mudança de perspectiva sobre a escala dessas observações. Ao aplicar um modelo da Via Láctea, a equipe descobriu que cada apontamento do telescópio abrange muito mais estrelas do que se imaginava. A estimativa subiu de 288 mil para mais de 6,1 milhões de astros monitorados simultaneamente.
Essa reavaliação sugere que o acervo de dados astronômicos acumulado pela humanidade é uma mina de ouro potencial para a astrobiologia, permitindo que cientistas utilizem registros já existentes para expandir significativamente o mapeamento da nossa galáxia em busca de assinaturas artificiais.
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