FACÇÃO AVANÇA EM NATAL

Sigla do Sindicato do Crime no Morro do Careca expõe avanço territorial da facção em Natal, segundo MP

Sigla do Sindicato do Crime escrita na areia do Morro do Careca.
A sigla do Sindicato do Crime escrita na areia do Morro do Careca, principal cartão-postal de Natal, voltou a expor o avanço territorial da facção.

Denúncia do Ministério Público detalha estrutura hierárquica, controle territorial e conexões com grupos de outros estados. Atuação de advogados sob investigação.

A sigla do Sindicato do Crime, pichada na areia do Morro do Careca, um dos cartões-postais de Natal, revelou nesta domingo, 24/05/2026, a expansão territorial da facção em comunidades da capital potiguar e do interior. A exibição da marca, segundo autoridades e apurações da Folha de S.Paulo, é um reflexo do crescimento da organização criminosa, observado há anos, especialmente em áreas urbanas e no sistema prisional.

Uma denúncia apresentada neste mês pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP) contra 25 integrantes detalha uma estrutura voltada para controle territorial, lavagem de dinheiro, disciplina interna e articulação com facções de outros estados. A investigação descreve uma hierarquia com comando e execução, liderada pela chamada “Final”, composta pelos fundadores. A organização também inclui conselhos estratégicos, setores financeiros e responsáveis por logística e transmissão de ordens.

A nomenclatura e parte da organização lembram modelos adotados pelo Primeiro Comando da Capital e pelo Comando Vermelho, segundo o MP. A denúncia é fruto da Operação Treme Tudo, deflagrada em dezembro do ano passado no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia.

A Vila de Ponta Negra, comunidade próxima ao Morro do Careca, é apontada como uma das principais áreas de influência da facção na capital. A investigação iniciou após a prisão de Alligueiton Patrício de Araújo, conhecido como “Ponta” ou “Adidas”, considerado pelo Ministério Público uma das lideranças do grupo. A análise de seu celular e de arquivos em nuvem permitiu mapear parte da estrutura operacional e identificar integrantes da cúpula criminosa.

O Sindicato do Crime mantém ligações com organizações criminosas da Paraíba, Ceará, Pernambuco, Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro, além de conexões com facções como Nova Okaida, Guardiões do Estado, Bonde do Maluco e Terceiro Comando Puro. A denúncia cita ainda a utilização de “tribunais do crime” para julgar integrantes por descumprimento de regras internas ou colaboração com rivais. Para o promotor Silvio Brito, esse mecanismo serve como forma de controle social e disciplinar nas áreas dominadas pela facção.

Em ações recentes, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu dez suspeitos ligados a um núcleo de homicídios do Sindicato do Crime, durante a segunda fase da Operação Lockout, em Natal, Mossoró e Baraúna. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou ter intensificado operações de combate a facções, com foco em monitoramento de lideranças, apreensão de armas, bloqueio financeiro e prisões interestaduais.

A denúncia também envolve a “Sintonia dos Gravatas”, estrutura composta por advogados suspeitos de fazer a ponte entre presos e membros da facção. A advogada Sandra Cássia Moura Caetano foi denunciada sob suspeita de repassar mensagens e ordens. A defesa dela nega irregularidades, alegando “inferências indiretas” na investigação. Atualmente, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio Grande do Norte apura 16 processos ético-disciplinares sobre suspeitas de ligação entre advogados e facções no estado.

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