DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Setores do Agro reforçam presença em Washington para conter tarifas dos Estados Unidos
Representantes buscam exceções para produtos brasileiros sob nova taxação americana, enquanto o setor avalia disputas na OMC.
O setor do agronegócio brasileiro intensificou sua estratégia de atuação em Washington para mitigar os impactos das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A decisão de ampliar a interlocução direta com autoridades americanas foi consolidada nesta segunda-feira, 20/07/2026, diante da escassez de soluções diplomáticas rápidas para o conflito comercial que ameaça a competitividade de diversos itens exportados.
O cenário da disputa sob a Seção 301
Em entrevista ao CNN Agro, o ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ Consultores, Welber Barral, destacou que o aumento das taxas reflete uma disputa comercial complexa. A investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301 tem sido utilizada para pressionar por concessões que extrapolam a agricultura, alcançando temas estratégicos como minerais críticos, plataformas digitais e o sistema de pagamentos Pix.
"Muitas das propostas são bastante unilaterais e algumas sequer dependem apenas do Executivo brasileiro, porque envolvem matérias que ainda tramitam no Congresso Nacional", afirmou Barral.
Regulamentação e a busca por exceções
O próximo passo crucial será a publicação de um ato executivo, esperada para o dia 22 de julho de 2026, que detalhará a aplicação das novas tarifas. A expectativa é que a alíquota atual de 10% suba para 12,5%, vinculada a uma investigação sobre trabalho forçado. A estratégia de defesa das empresas brasileiras foca na demonstração de que a taxação prejudica também a indústria e os consumidores nos Estados Unidos, especialmente em produtos com baixa oferta interna, como o açúcar orgânico.
Contestação na Organização Mundial do Comércio
Paralelamente, o Brasil prepara uma contestação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Apesar de ser considerada inevitável para a preservação do sistema multilateral, Barral pondera que o processo é moroso, podendo levar até quatro anos para uma conclusão definitiva. Por isso, a presença permanente em Washington, que já garantiu vitórias passadas para setores como o café solúvel e o ferro gusa, segue sendo o pilar mais imediato de proteção ao interesse nacional.
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