TURISMO RESGATADO
Setor turístico defende engorda de Ponta Negra e aponta ganhos econômicos em Natal
Obra de R$ 100 milhões, concluída em 2025, impulsiona fluxo de visitantes e exige agora novas drenagens para eliminar alagamentos.
Com o objetivo de sustentar a vitalidade econômica e a beleza natural de um dos principais destinos turísticos do Brasil, as entidades representativas do setor turístico no Rio Grande do Norte, como o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SHRBSRN) e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RN), reafirmaram nesta sábado, 16 de maio de 2026, a importância da engorda da Praia de Ponta Negra, em Natal. A obra, finalizada em janeiro de 2025 pela Prefeitura de Natal com recursos federais e municipais, foi essencial para conter a severa erosão que ameaçava o Morro do Careca e impulsionar o fluxo de visitantes, embora ainda dependa de intervenções complementares para sua plena funcionalidade.
A discussão sobre a Praia de Ponta Negra, com sua faixa de areia ampliada, permanece central para o cenário turístico potiguar. Após a conclusão da intervenção em janeiro de 2025, que visou barrar o avanço do mar e proteger o icônico Morro do Careca, o debate agora se aprofunda sobre os próximos passos. Anteriormente, o BNews RN trouxe uma série de reportagens detalhando o panorama da engorda, com informações do ecólogo Thiago Mesquita, titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB). Agora, a perspectiva se volta para os líderes do turismo, que compartilham suas percepções sobre as transformações, os desafios e os impactos que a revitalização da orla traz para a região e a vida dos moradores e visitantes.
Melhoria na experiência turística e proteção ambiental
Grace Gosson, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Rio Grande do Norte (SHRBSRN), celebra o incremento no fluxo de pessoas devido à maior faixa de areia. "Já é possível observar maior atração de público para eventos esportivos, religiosos e para o lazer na praia, uma vez que, antes da engorda, o uso da praia ficava bastante limitado quando as marés estavam altas", explica. Contudo, Gosson enfatiza o potencial de crescimento ainda inexplorado, aguardando a prometida reurbanização da Praia de Ponta Negra, um projeto que o Município de Natal planeja desenvolver e executar. Ela ressalta que a engorda proporcionou uma faixa de areia mais ampla, permitindo maior circulação de pessoas durante todo o dia e à noite.
Para mim, a principal diferença após a engorda foi a proteção do nosso maior cartão-postal, o Morro do Careca, contra a erosão marítima, que se encontrava em nível avançado e muito preocupante.
Grace Gosson, presidente do SHRBSRN
"Embora ainda falte a conclusão da drenagem e a execução do projeto de reurbanização, a situação é, ainda assim, bem melhor do que a que enfrentávamos antes da engorda", complementa Gosson. Ela recorda que, antes da intervenção, hóspedes e clientes dos estabelecimentos de Ponta Negra se queixavam da restrição de uso da praia nas marés cheias e da erosão no Morro do Careca. O avanço do mar sobre o calçadão e os empreendimentos à beira-mar também gerava grande apreensão. Atualmente, o cenário mudou. "Com a engorda, os turistas elogiam o visual mais amplo e o maior espaço para aproveitar a praia, embora reclamem da qualidade da nova areia", afirma.
"A engorda de Ponta Negra foi uma necessidade para a manutenção do maior cartão-postal de nossa cidade e para a continuidade do uso da praia. Hoje é uma realidade; não há mais como voltar no tempo. Portanto, cabe a todos contribuir para que o Poder Público tome as melhores decisões, de forma que tenhamos sempre uma Ponta Negra linda, reordenada e livre da erosão costeira", concluiu Grace Gosson, apelando à colaboração coletiva.
Impacto econômico e confiança no investimento
Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), corrobora a visão de Grace Gosson. Ele observa que hotéis, bares e restaurantes de Natal, especialmente os de Ponta Negra, já registram um aumento na circulação de pessoas na orla e uma maior permanência dos turistas no espaço da praia. "Isso gera impacto direto no consumo, na ocupação hoteleira e na confiança do setor privado em voltar a investir", pontua Gadelha. Ele enfatiza que a obra transcende a esfera da infraestrutura, representando uma medida estratégica para a proteção econômica do turismo natalense.
A engorda não é apenas uma obra de infraestrutura. Ela representa uma ação estratégica de proteção econômica do turismo de Natal.
Edmar Gadelha, presidente da ABIH-RN
Gadelha destaca que, antes da intervenção, Ponta Negra enfrentava um processo erosivo severo, com trechos da praia praticamente sem faixa de areia em certas marés, comprometendo a experiência turística e a operação comercial. "A principal diferença, agora, é justamente a recuperação da praia como espaço de convivência, lazer e atividade econômica", avalia. Para ele, "hoje existe uma praia mais ampla, mais segura, mais funcional e visualmente mais atrativa".
Entretanto, o presidente da ABIH-RN alerta que "é importante destacar que a obra ainda passa por intervenções complementares, principalmente na área de drenagem, para enfrentar os pontos de alagamento que vêm sendo registrados em alguns trechos da praia após a engorda". Ele observa que a percepção dos turistas e potiguares sobre a nova faixa de areia é majoritariamente positiva, com o aumento da área de lazer sendo um ponto favorável para todos.
Gadelha complementa que a Prefeitura de Natal tem informado sobre as etapas complementares, como a drenagem e o futuro projeto urbanístico e paisagístico da orla, definido por meio de concurso nacional realizado pelo IAB. "Ou seja, a transformação de Ponta Negra não se resume apenas à engorda da praia, mas faz parte de um projeto mais amplo de requalificação urbana e turística", explica. Reconhecendo que grandes intervenções urbanas geram debates e questionamentos, ele afirma que é crucial analisar os resultados concretos e compreender que "a engorda era uma necessidade, não uma opção".
"Se nada fosse feito, o processo de erosão avançaria ainda mais, trazendo prejuízos econômicos, ambientais e turísticos para Natal", adverte. Ele enfatiza a necessidade de acompanhamento, monitoramento e manutenção técnica contínua da obra, comparando-a a outros destinos turísticos mundiais. Para isso, "é fundamental que exista união entre o Poder Público, setor produtivo, comerciantes e população para que a engorda de Ponta Negra siga avançando com todos os processos complementares necessários".
Ponta Negra é um patrimônio econômico e afetivo do Rio Grande do Norte. Preservar aquela área significa preservar empregos, investimentos e a competitividade do nosso turismo.
Edmar Gadelha, presidente da ABIH no RN
Drenagem e custos: o futuro da orla
A Prefeitura de Natal se compromete a solucionar os "espelhos d'água", poças que se formam na faixa de areia após chuvas intensas e que têm gerado críticas. Para erradicar esses pontos de alagamento, uma nova fase de intervenções está planejada para a Praia de Ponta Negra. Shirley Cavalcanti, secretária municipal de Infraestrutura, informou que o cronograma prevê obras complementares de drenagem, com duração estimada de até cinco meses.
A engorda da Praia de Ponta Negra custou aproximadamente R$ 100 milhões, provenientes de recursos federais e municipais. A intervenção cobriu cerca de 4 km de orla, estendendo-se do Morro do Careca até o início da Via Costeira. Mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram utilizados, extraídos de uma jazida submarina a aproximadamente 10 km da costa. Com isso, a faixa de areia da praia aumentou cerca de 100 metros na maré baixa e 50 metros na maré cheia.
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