ALERTA PESCA RN

Setor pesqueiro do RN teme nova tarifa dos Estados Unidos e vê exportações travadas

Barcos de pesca no mar com o sol ao fundo.
Barcos de pesca no Rio Grande do Norte enfrentam incertezas com novas tarifas.

Possível taxação de 37,5% sobre produtos brasileiros pode inviabilizar o pescado potiguar no mercado americano. Setor busca articulação com Fiern e CNI.

{"blocks":[{"key":"dlt9e","text":"O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte voltou a acender o alerta diante da possibilidade de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Empresários temem que uma nova cobrança, que pode chegar a 37,5%, retire a competitividade do pescado fresco potiguar, especialmente atum, meca e pescados costeiros, hoje entre os principais itens exportados pelo Estado para o mercado americano.","type":"paragraph"},{"key":"bh9c9","text":"O diretor do Sindipesca no Rio Grande do Norte, Arimar França, detalhou que o setor ainda sente os reflexos da taxação anterior, que gerou sete meses de dificuldades, resultando no fechamento de empresas, perda de empregos e tentativas frustradas de absorção da produção no mercado interno.","type":"paragraph"},{"key":"3b29n","text":"O programa Brasil Soberano, anunciado para amparar empresas afetadas, teve alcance restrito por falta de fundo garantidor, dificultando o acesso ao crédito. "Poucas empresas tiveram acesso. Só tiveram acesso utilizando seus próprios limites de crédito", afirmou Arimar França.","type":"paragraph"},{"key":"147l5","text":"A nova preocupação envolve a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com eventual adicional de 12,5% ligado a acusações de omissão no combate ao trabalho escravo. Essa soma elevaria a taxação total para 37,5%, tornando o pescado potiguar praticamente inviável no mercado americano, segundo o setor. "É quase impossível", ressaltou França.","type":"paragraph"},{"key":"2q6b4","text":"O Brasil compete atualmente com uma tarifa de 10%, similar à de outros países. Uma elevação para 37,5% o deixaria em desvantagem competitiva. A situação se agrava com o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2018, aumentando a dependência dos Estados Unidos, que, juntamente com a Europa, eram os principais destinos do pescado fresco potiguar. A Ásia, por sua vez, consome majoritariamente produtos congelados.","type":"paragraph"},{"key":"24f33","text":"A esperança de reabertura do mercado europeu surge com a previsão de uma avaliação por auditores da autoridade sanitária europeia no Brasil, que incluirá a Produmar. A vistoria abrangerá tanto empresas quanto o sistema de controle governamental.","type":"paragraph"},{"key":"95k7b","text":"A cadeia produtiva afetada é extensa, englobando centenas de embarcações e milhares de pescadores em comunidades como Baía Formosa e Sagi até Areia Branca. Cada emprego direto na pesca, segundo Arimar França, gera de sete a oito empregos em terra.","type":"paragraph"},{"key":"47d8e","text":"A indústria pesqueira potiguar sofreu um declínio nos últimos anos. O Rio Grande do Norte, que já contou com 11 frigoríficos de lagosta e liderou a produção de camarão e atum, hoje vê essas posições ocupadas pelo Ceará. Contudo, o Estado ainda mantém destaque na qualidade do atum para culinária japonesa, graças à qualificação de seus pescadores.","type":"paragraph"},{"key":"9820o","text":"O setor buscará articulação junto à Fiern e à CNI para acompanhar a discussão e influenciar a decisão americana. O clima atual é de incerteza, com o setor aguardando a definição sobre a manutenção da tarifa em 10% ou seu aumento para 25% ou 37,5%.","type":"paragraph"}]}

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