DEFESA DO BC
Setor financeiro defende autonomia do Banco Central e o presidente Gabriel Galípolo
Entidades financeiras criticam impasse na CCJ do Senado para votação de autonomia do Banco Central e alertam para riscos à estabilidade econômica.
Bolsos e mentes do setor financeiro uniram-se em defesa do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e da autonomia da autarquia. A manifestação, que veio à tona na quarta-feira, 20 de maio de 2026, ocorre em meio a um impasse na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A CCJ adiou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa consolidar a autonomia financeira do BC, um movimento que as entidades consideram prejudicial. Em nota oficial, as associações do setor financeiro expressaram o reconhecimento da "urgente necessidade do reforço orçamentário e do quadro de pessoal" para que o Órgão "possa continuar atuando em sua árdua tarefa de regulação, supervisão e fiscalização de um gigantesco sistema financeiro". Elas apontam para a crescente complexidade do mercado, impulsionada por novas modalidades de negócios, modelos de instituições e o uso de tecnologias avançadas. Ao todo, 14 entidades assinam o documento. Entre elas estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), a Associação de Bancos Brasileiros (ABBC), a Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), a Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), a Associação Brasileira de Internet (Abranet), a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), a Associação para a Interoperabilidade das Infraestruturas do Mercado Financeiro (Apiimf) e a Zetta. As entidades argumentam que alinhar o Brasil às práticas de outras economias fortalece o Regulador, diminui a percepção de risco do País, garante estabilidade na política monetária e impulsiona um sistema financeiro moderno. "Só com um Banco Central independente, fortalecido e competente, que esteja à altura de seus desafios, a população e o setor produtivo brasileiros poderão se beneficiar de um sistema financeiro saudável e sustentável, capaz de evitar crises que podem afetar severamente a economia nacional, a credibilidade do setor, e impor custos adicionais à sociedade", concluem. Internamente, a CNN Brasil apurou que o Ministério da Fazenda agiu junto à liderança governista para adiar o avanço da proposta. Há uma preocupação no Palácio do Planalto de que a discussão seja adiada para após as eleições, devido a receios sobre os impactos da medida no controle político e orçamentário da autarquia. A PEC 65/2023, em debate, visa transformar o BC em uma instituição de natureza especial, concedendo autonomia técnica, operacional, administrativa, financeira e orçamentária. Se aprovada, a autarquia deixaria de ser vinculada à administração pública federal, operando sem subordinação a ministérios. A proposta busca ampliar a independência, que atualmente é operacional com mandatos fixos para presidente e diretores, garantindo maior liberdade administrativa e orçamento próprio. Existe no governo o temor de que essa medida crie um precedente para que outras autarquias, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), também pleiteiem autonomia financeira. Na véspera do pronunciamento das entidades, Gabriel Galípolo compareceu à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em um apelo enfático, ele pediu "pelo amor de Deus" a aprovação da autonomia financeira do BC. Em uma sessão tensa, marcada por debates com o senador Renan Calheiros, o presidente do BC alertou para o risco de a autoridade monetária ser "asfixiada" caso não participe do "jogo político". Ele expressou o receio de que o BC seja prejudicado por não negociar seu mandato ou por ser liderado por alguém que aceite entrar nesse jogo, classificando ambas as situações como "gravíssimas".
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário