MUDANÇA DE DISCURSO
Sérgio Turra, que propôs jornada de 52h, agora defende escala 4x3
Deputado federal Sérgio Turra (PP-RS) critica a PEC da escala 6x1 como "irresponsável" e cobra adoção imediata da 4x3, dias após propor jornada de até 52 horas semanais.
O deputado federal Sérgio Turra (PP-RS), que recentemente propôs uma emenda à PEC do fim da escala 6x1 permitindo jornadas de até 52 horas semanais, agora declara apoio à adoção da escala 4x3. A mudança de posicionamento foi anunciada nesta quarta-feira, 27/05/2026, após o PL (Partido Liberal) anunciar apoio à redução da jornada de trabalho no País.
Em pronunciamento em redes sociais, Turra classificou a proposta defendida pelo governo e pela esquerda como uma medida que “vai quebrar o país”, prejudicando trabalhadores e pequenos empresários. "Vamos ver se a esquerda se preocupa mesmo com os trabalhadores. Sou a favor da escala 4 X 3", afirmou, em clara referência a uma reação ao governo atual. O congressista chegou a publicar um vídeo com a legenda: "Se é para sermos irresponsáveis, que seja agora, para que todos saibam quem é o responsável: Lula."
A guinada discursiva ocorre poucos dias após Turra apresentar uma emenda à PEC que visava estabelecer uma transição de 10 anos para reduzir a jornada semanal para 40 horas. Sua proposta, no entanto, autorizava a ampliação da carga horária em até 30% via convenção coletiva, elevando-a para 52 horas semanais. O texto contou com o apoio de 176 deputados de legendas como PL, PP, MDB, Republicanos, PSD e União Brasil, totalizando cerca de 34% da Câmara.
O relatório, de autoria do deputado Léo Prates (Republicanos – BA), prevê uma transição gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais. A decisão do PL de mudar seu posicionamento, segundo o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), na terça-feira (26.mai.2026), foi motivada pela avaliação do impacto eleitoral do tema em 2026. Contudo, o partido planeja usar o tema para criticar o governo Lula e deputados da base petista.
A reviravolta gerou críticas de governistas na sessão da comissão especial que analisou a PEC nesta quinta-feira (27.mai.2026). Deputados aliados do governo apontaram incoerência na postura do PL, que, ao mesmo tempo em que declara apoio à redução da jornada, tem membros que assinaram propostas de flexibilização ou ampliação da carga horária.
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