CRISE FINANCEIRA
Serasa mostra que endividamento atinge 82,2 milhões de brasileiros
Metade da população adulta do País luta contra débitos, com cartão de crédito liderando as pendências. Análise de 5 de maio de 2026.
A Serasa revelou nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, que a inadimplência no Brasil alcançou 82,2 milhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população adulta do País. O levantamento, que aponta um avanço de 1,35% em relação ao mês anterior, sublinha a crescente pressão sobre a renda das famílias e a dependência do crédito para suprir despesas básicas, revelando um cenário desafiador para a dignidade e o bem-estar de milhões de brasileiros.
Os dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas mostram que quase metade dos débitos negativados, 47%, concentra-se no setor financeiro. O cartão de crédito emerge como o principal vilão das dívidas bancárias, mencionado por 73% dos entrevistados. Empréstimos pessoais vêm em seguida, com 56%, e o uso do limite da conta corrente e cheque especial é citado por 33%.
Uma parcela significativa dos consumidores acumula débitos altos e de longa duração. Entre os endividados com cartão de crédito, 37% enfrentam dívidas superiores a R$ 10 mil, enquanto 36% convivem com a inadimplência há mais de dois anos. Aline Maciel, diretora da Serasa, alertou que o uso recorrente do crédito rotativo agrava o problema: “Quando o crédito rotativo passa a ser utilizado de forma recorrente, especialmente em valores elevados, o risco de endividamento prolongado aumenta significativamente. Isso ajuda a explicar por que uma parcela relevante da população permanece com dívidas por tanto tempo.”
A pesquisa também indica que 38% dos brasileiros atribuem o endividamento bancário ao desemprego ou à perda de renda. Os principais motivos para a contratação de crédito estão diretamente ligados ao pagamento de contas básicas e à tentativa de quitar outras dívidas, o que sinaliza uma deterioração da capacidade de consumo familiar. “A pesquisa reforça que o endividamento bancário no Brasil não está ligado ao consumo impulsivo, mas a uma tentativa de manter o básico em dia”, explicou Aline Maciel. “Quando despesas essenciais, como alimentação e saúde, passam a ser financiadas no crédito, o risco de efeito bola de neve aumenta significativamente, comprometendo a qualidade de vida e a estabilidade financeira das famílias.”
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