DESGASTE ADMITIDO
Senador Rogério Marinho admite desgaste de Flávio Bolsonaro após caso "Dark Horse"
Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogério Marinho reconhece que o episódio "Dark Horse" afetou a trajetória do pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto e o cenário eleitoral.
O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reconheceu nesta terça-feira, 16/06/2026, que o caso "Dark Horse" provocou um considerável desgaste político e impactou negativamente a trajetória do pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto. Em entrevista concedida ao jornal O Globo no último fim de semana, Marinho sugeriu que o impacto da revelação da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro poderia ter sido atenuado caso tivesse sido tornado público anteriormente.
Ao abordar a repercussão do episódio, o senador admitiu uma falha na gestão política do caso. "O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande". A declaração representa um reconhecimento explícito das consequências eleitorais da crise, contrastando com os esforços anteriores de aliados em contestar e minimizar a polêmica.
Marinho não apenas confirmou o desgaste, como declarou: "Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha". Contudo, procurou relativizar os efeitos de longo prazo, comparando a disputa eleitoral a uma maratona, e defendeu que o cenário político ainda se mantém em aberto para os próximos meses.
O senador reforçou a defesa da legalidade na relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, afirmando que não houve favorecimento político ou atuação institucional em benefício do empresário. "Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B".
Comparando a repercussão do caso com encontros de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marinho apontou uma disparidade de tratamento, questionando a ausência de perplexidade ou indignação em relação às reuniões do presidente. "Ele foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário. Não há perplexidade nem indignação".
Sobre a divulgação da prestação de contas do financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, Marinho expressou a expectativa de que o assunto seja encerrado com a apresentação dos documentos, confiando que a transparência permitirá que os eleitores foquem nas discussões relevantes para o Brasil.
O senador afastou enfaticamente qualquer possibilidade de substituição de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, assegurando que ele é a prioridade absoluta da campanha: "Flávio é o nosso plano A, B, C e F".
A polêmica sobre o caso Dark Horse
O caso Dark Horse ganhou notoriedade após reportagens do The Intercept Brasil revelarem diálogos e mensagens que detalharam a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As conversas giravam em torno do financiamento do projeto "Dark Horse", uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo orçamento estimado ultrapassa R$ 134 milhões. Tais revelações suscitaram questionamentos sobre a proximidade entre o pré-candidato e o banqueiro, bem como sobre a transparência na captação de recursos para a produção cinematográfica. A divulgação do material gerou forte repercussão política, intensificando as demandas por esclarecimentos sobre a relação com Vorcaro e a origem dos fundos. Desde então, aliados de Flávio Bolsonaro têm sustentado que se trata de uma relação estritamente privada, sem contrapartidas ou favorecimentos políticos, enquanto a campanha busca conter os efeitos da polêmica, que já se refletem nas pesquisas de intenção de voto.
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