REVESES NO GOVERNO
Senado Federal aprova pautas-bomba com rombo de R$ 200 bilhões; briga entre Alcolumbre e Lula explica reveses
Decisões no Senado Federal podem gerar impacto fiscal de mais de R$ 200 bilhões nos próximos dez anos. Presidente Lula e Davi Alcolumbre estariam em pé de guerra.
Na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Senado Federal aprovou uma série de propostas conhecidas como "pautas-bomba", que, juntas, podem gerar um rombo fiscal superior a R$ 200 bilhões nos próximos dez anos. A decisão, que representa uma derrota para o governo do presidente Lula, é explicada por três fatores apontados pela equipe presidencial: senadores buscando agradar suas bases eleitorais, a estratégia de Davi Alcolumbre (União-AP) para assegurar sua reeleição à presidência da Casa e o conflito latente entre o presidente do Senado e o presidente da República.
A expectativa do governo era que Alcolumbre pudesse conter a votação dessas propostas, especialmente após uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na qual o presidente do Senado teria se comprometido a não pautar tais projetos a pedido do Executivo. No entanto, na quarta-feira, Alcolumbre decidiu seguir em sentido oposto, levando a plenário e aprovando o projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A medida, mesmo sem acordo com o governo, representa um risco fiscal de R$ 140 bilhões em uma década.
Líderes governistas interpretam a manobra de Alcolumbre como um aceno para obter apoio de outros senadores em sua candidatura à reeleição, além de um sinal para o presidente Lula sobre a necessidade de um encontro para reconciliar as diferenças. A relação entre os dois líderes está estremecida desde que o Senado, sob a gestão de Alcolumbre, rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), vaga que pertencia a Luís Roberto Barroso.

Agora, as esperanças do governo se voltam para a Câmara dos Deputados, com destaque para o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), na tentativa de impedir que projetos de impacto fiscal semelhante sejam aprovados ainda neste ano. A recente aprovação de uma PEC pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que trata da aposentadoria para agentes de saúde e endemias, ilustra a pressão constante sobre as contas públicas.
A própria votação no Senado, marcada por aprovações que contrariam os interesses do Executivo, reflete um cenário de articulações políticas que impactam diretamente a estabilidade econômica e a capacidade de investimento do país. A dignidade do cidadão, por vezes, fica à margem de disputas de poder que resultam em desequilíbrios fiscais e comprometem serviços públicos essenciais.
Davi Alcolumbre e Lula foram vistos lado a lado durante a posse de Nunes Marques como presidente do TSE, mas a foto, capturada por Walter Rocha para a TV Globo, revelou uma clara distância e falta de interação entre ambos, sinalizando a profundidade do descompasso.
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