FIM DA 6X1
Senado debate nova escala de trabalho; oposição apresenta alternativa à 6x1
Enquanto governo busca aprovar texto da Câmara, oposição propõe acordo individual entre empregado e empregador para definir jornada. Decisão impacta milhões de trabalhadores e pode ser promulgada até 18 de julho.
Uma nova proposta para a escala de trabalho no Brasil está em debate no Congresso Nacional. A aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca acabar com a escala 6x1 mobiliza o governo e a oposição em busca de um texto que resulte na redução da jornada de trabalho no país. Em resposta à proposta aprovada pela Câmara dos Deputados, a oposição apresentou uma alternativa no Senado. O Palácio do Planalto, por sua vez, trabalha para acelerar a tramitação da matéria no Senado com o objetivo de promulgá-la ainda no primeiro semestre, visando capitalizar politicamente com a redução da jornada antes das eleições.
A alternativa apresentada pela oposição ao texto original sugere que as definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas por meio de acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou "livre pactuação contratual direta". A proposta visa permitir que contratos individuais prevaleçam sobre instrumentos de negociação coletiva em determinadas situações.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é uma figura central na definição do futuro da escala 6x1. Alcolumbre encaminhou a proposta alternativa para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ao mesmo tempo em que sinaliza a aliados a possibilidade de não criar obstáculos para o avanço da pauta na Casa Alta.
O governo federal acompanha de perto os desdobramentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem planos de atuar ativamente para garantir a aprovação da PEC nos moldes aprovados pelos deputados. Para isso, o presidente Lula busca uma reaproximação com Alcolumbre, após um período de distanciamento motivado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) em abril.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou que o presidente Lula pretende dialogar para apresentar as demandas do Executivo. "Não gosto de falar em prazos para aprovação, mas é evidente que, se o Senado também estiver debruçado no tema e interessado assim como a Câmara esteve, esperamos que seja aprovado em até 30 dias a partir de hoje [quinta, 29/05/2026]", declarou Marinho.
O governo mantém a expectativa de que a PEC seja aprovada no Senado em até 30 dias, permitindo sua promulgação pelo Congresso até o fim do primeiro semestre, antes do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho. A decisão, se aprovada, trará impactos significativos na rotina e nos direitos de milhões de trabalhadores brasileiros, afetando diretamente a dignidade e o bem-estar social ao garantir jornadas de trabalho mais brandas.
Com duas propostas em análise na CCJ, o presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou à CNN que dará prioridade ao texto aprovado pelos deputados. "Vou dar prioridade a essa da Câmara", disse o senador, ressaltando que a proposta aprovada na Câmara foi "muito debatida e aprovada com 400 e tantos votos".
Um dos principais argumentos para a priorização do texto da Câmara reside em sua expressiva aprovação na Casa. A PEC foi votada com ampla maioria, ultrapassando 460 votos em dois turnos, o que, segundo parlamentares governistas, impõe uma responsabilidade ao Senado para dar seguimento à pauta popular.
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