VOTO POLÍTICO
Senado barra Jorge Messias ao STF, fragilizando Planalto
Apenas 34 votos favoráveis na noite de quarta-feira (29/4) evidenciam derrota de Lula e articulação de Davi Alcolumbre.
O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quarta-feira, 29 de abril de 2026. Esta expressiva derrota política para o Planalto reverberou no dia seguinte, quando Messias, apesar da frustração, agradeceu publicamente a figuras como Jaques Wagner (PT-BA) e Otto Alencar (PSD-BA), mesmo em meio a rumores de traição política que marcaram o processo de sabatina. A falha em obter os 41 votos necessários — ele conquistou apenas 34 — expôs profundas fissuras na base governista e revelou uma complexa teia de articulações e ressentimentos no Congresso, impactando diretamente a estratégia do governo Lula para a Suprema Corte.
A gratidão pública de Messias, expressa em uma rede social nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, soou como um aceno de apaziguamento após o turbulento desfecho. Ele citou nominalmente Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, e Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), classificando-os como “amigos” e agradecendo aos 32 senadores que o apoiaram. Essa manifestação ocorreu dias depois de a coluna Igor Gadelha, do Metrópoles, noticiar que Messias se sentira traído por Jaques Wagner, que teria prometido 45 votos no Senado, número que se mostrou distante da realidade.
Os bastidores da votação indicam que a derrota de Messias, com seus 34 votos favoráveis contra os 41 mínimos exigidos, foi resultado de uma articulação multifacetada. Parlamentares da base governista atribuem o insucesso à ação liderada por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, além de falhas na própria articulação do governo e a “traição” de senadores que haviam sinalizado apoio.
A complexidade dos arranjos políticos foi exacerbada por desconfianças internas. Aliados de Jorge Messias, sob condição de anonimato, relataram que o ex-indicado suspeitava que o líder do governo, Jaques Wagner, teria atuado em conjunto com Davi Alcolumbre para bloquear sua nomeação. O motivo por trás dessa suposta articulação seria o receio de um fortalecimento do ministro André Mendonça no STF, próximo de Messias. Mendonça é relator de investigações envolvendo o Banco Master, que supostamente conectam aliados de Wagner na Bahia e de Alcolumbre no Amapá.
Davi Alcolumbre, por sua vez, nunca escondeu sua resistência ao nome de Messias. Ele chegou a confidenciar a aliados o desejo de impor uma derrota ao Planalto, defendendo publicamente a indicação de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. No ano anterior, Alcolumbre chegou a tentar acelerar a análise do nome de Messias, numa estratégia vista como tentativa de esvaziar a articulação favorável ao AGU dentro do próprio governo. A rejeição do nome de Jorge Messias, portanto, não apenas encerra uma tentativa de ascensão à Suprema Corte, mas também expõe as intrincadas dinâmicas de poder e as fragilidades políticas dentro da base aliada do governo.
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