SEGURANÇA NEGLIGENCIADA
Sem previsão do Dnit, passarela da BR-101 mantém Parnamirim em perigo
Após queda de mulher em abril de 2026, estrutura segue interditada e expõe pedestres ao tráfego da rodovia, sem prazo para reparos.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) mantém a população de Parnamirim, na Grande Natal, sem previsão para a reabertura da passarela sobre a BR-101, local onde uma mulher despencou de cerca de cinco metros de altura em 13 de abril de 2026. A indefinição do prazo para os reparos, confirmada pelo Dnit nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, ao AGORA RN, prolonga o risco para pedestres, que há mais de um mês precisam atravessar a movimentada rodovia em meio ao tráfego intenso.
Apesar de ter equipes mobilizadas, o órgão federal realiza o tratamento da estrutura metálica e a substituição das telas danificadas, sem clareza sobre quando os trabalhos serão concluídos. O Dnit também sinalizou a rodovia e interditou uma faixa próxima à passarela para garantir a segurança dos operários, mas essa medida não resolve a insegurança dos cidadãos.
O departamento ressalta a impossibilidade de estabelecer uma data específica para a conclusão da obra e a reabertura da passarela. Segundo o Dnit, o cronograma depende do planejamento contratual e das necessidades estruturais, com o período chuvoso adicionando mais um fator de indefinição. Enquanto isso, a comunidade de Parnamirim segue em um limbo de espera e preocupação.
O grave acidente que levou à interdição ocorreu há mais de um mês, em 13 de abril de 2026. Uma mulher de 35 anos despencou de uma altura de aproximadamente cinco metros depois que a tela de proteção da passarela cedeu. Desde então, o equipamento permanece fechado, forçando pedestres a uma travessia perigosa.
A interdição da estrutura empurra diariamente pedestres para a BR-101, uma rodovia de intenso tráfego de veículos. A ausência de semáforos ou outros dispositivos de controle torna a travessia ainda mais arriscada, intensificando a sensação de vulnerabilidade e medo entre os moradores da região, que temem por suas vidas e pela vida de seus filhos.
Sobre o acidente
O drama da queda ocorreu por volta das 13h de 13 de abril de 2026. Luana Priscila, de 35 anos, atravessava a passarela com seu filho e sacolas de compras quando, ao desviar de outra pessoa, encostou em um trecho comprometido da tela de proteção. O que se seguiu foi uma queda de cinco metros sobre a pista, sob os olhos de testemunhas que confirmaram sua versão, chocadas com a cena.
Milagrosamente, apesar da gravidade da queda, Luana Priscila permaneceu consciente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a socorreu, encaminhando-a ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. No dia seguinte ao acidente, a vítima revelou o impacto devastador: fraturas na coluna e na bacia, com a perspectiva de permanecer acamada por aproximadamente três meses, o que representa um duro golpe em sua vida e na de sua família.
Edson Marinho, namorado de Luana Priscila, já alertava à época que a estrutura da passarela apresentava falhas visíveis. “Ela se desequilibrou com as sacolas e foi exatamente nas proximidades de uma falta de proteção, ou seja, da tela da passarela que está danificada”, afirmou Edson, evidenciando o perigo preexistente.
Luana Priscila, residente do distrito de Cabeceiras, em Tibau do Sul, havia se deslocado a Parnamirim naquele dia para acompanhar seu filho de 7 anos em um exame médico. Um compromisso de cuidado materno transformado em pesadelo devido à precariedade de uma estrutura pública.
Moradores e comerciantes da região reforçam que o ponto da queda de Luana Priscila não era um problema novo. A área já havia sido atingida por um caminhão em outubro de 2025. Desde esse incidente, a passarela exibia sinais claros de corrosão, telas soltas e buracos na proteção lateral, negligência que culminou no acidente.
Após o trágico evento, a Prefeitura de Parnamirim prontamente acionou o Dnit, o órgão federal responsável pela manutenção da estrutura. Na época, o Dnit confirmou que possui contrato contínuo para a conservação das passarelas da BR-101 e que a empresa contratada fora notificada para as providências. No entanto, mais de um mês após a queda de Luana Priscila e a interdição da passarela, a população ainda aguarda. Sem uma previsão de reabertura, a vida dos pedestres de Parnamirim permanece em xeque, exposta diariamente ao risco ao atravessar uma das rodovias mais movimentadas do Estado, em uma clara violação de seu direito à segurança e dignidade.
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