CRIME FINANCEIRO ORGANIZADO
Secretaria de Segurança Pública do Piauí deflagra operação contra núcleo financeiro de facção; R$ 50 milhões bloqueados
Ação conjunta entre Piauí, Ceará e Rio de Janeiro cumpriu 68 mandados judiciais e visa desarticular esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma facção com atuação na Rocinha. Investigações seguem.
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), em ação conjunta com forças de segurança do Ceará e do Rio de Janeiro, deflagrou na manhã desta terça-feira, 30/06/2026, a 8ª fase de uma operação que desarticulou o núcleo financeiro de uma facção criminosa. A decisão judicial determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 50 milhões de indivíduos investigados. A operação é crucial para descapitalizar organizações criminosas e interromper o ciclo de violência e lavagem de dinheiro que afeta a dignidade das comunidades.
As investigações, iniciadas em 2024, identificaram um grupo criminoso com origem em Pedro II, no Norte do Piauí. Segundo a SSP-PI, a organização está conectada a uma facção com forte atuação na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, e possui ramificações no Ceará. O grupo é apurado por uma série de homicídios ocorridos no Piauí, além de crimes de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas que impactam diretamente a segurança pública e a ordem social.
A Polícia Civil detalhou que esta etapa da operação concentrou esforços no setor responsável pela ocultação e movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas e de esquemas de extorsão. Com base em um robusto conjunto de provas, a Justiça ordenou o sequestro de bens e valores, superando a marca de R$ 50 milhões, um montante significativo para as finanças da facção.
Um dos presos nesta fase é apontado como peça-chave na logística da fuga de dois criminosos da Penitenciária Federal de Mossoró, ocorrida em 2024, evidenciando a periculosidade e a extensão dos tentáculos da organização.
Estrutura da facção
As apurações revelaram que o indivíduo identificado pelas iniciais J.R.S.R., conhecido como “Carioca” ou “Canindé”, figura como o líder do núcleo financeiro, orquestrando as operações criminosas a partir do Rio de Janeiro. Sua atuação centralizada demonstra a complexidade da rede.
Em Pedro II, o comando do tráfico de drogas local estaria sob a responsabilidade do homem identificado como A.I.N.S., com o suporte de D.U.N., apelidado de "Tapioca", e A.G.G.S., conhecido como “Negão”, este último natural do Ceará. Os três indivíduos já se encontram sob custódia no Piauí.
Casos sob investigação
A Polícia Civil confirmou a vinculação de 13 homicídios às atividades da facção em fases anteriores da operação, as quais resultaram no cumprimento de mais de 42 mandados de prisão. A investigação aprofunda a compreensão dos impactos violentos do grupo.
Dentre os crimes em apuração, destacam-se dois assassinatos de jovens em Pedro II, registrados em 2024 e 2025. Conforme as evidências, as mortes foram perpetradas no contexto de execuções sumárias, conhecidas como "tribunal do crime", um atentado direto à vida e à dignidade humana.
Um dos casos emblemáticos é o do desaparecimento e subsequente assassinato da adolescente Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, em agosto de 2024. Seu corpo foi encontrado em uma fossa, um desfecho trágico para a perda de uma jovem vida. Outra vítima citada é Danilo Soares, cujo corpo foi descoberto em uma cova rasa na zona rural da cidade, evidenciando a brutalidade dos atos.
A SSP-PI informou ainda que um dos investigados confessou formalmente a autoria de seis homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio, reforçando a gravidade dos crimes apurados e a necessidade de resposta firme do sistema de justiça.
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