FRAUDE NO SUS

Saúde em MS era usada como moeda de troca em esquema de R$ 27 milhões

Imagem ilustrativa relacionada ao esquema de fraude na saúde pública.
Esquema envolvia pressão contra gestores para favorecer Editora Avante.

Ministério Público revela que fila de cirurgias e exames servia para pressionar prefeitos a contratar editora ligada a organização criminosa.

Um esquema de corrupção estruturado dentro da saúde pública de Mato Grosso do Sul utilizava o acesso de pacientes a cirurgias, exames e leitos como ferramenta de pressão política para beneficiar uma editora particular. A decisão de investigar a fundo o caso foi consolidada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da Operação Gutenberg, deflagrada em 07/07/2026, com o objetivo de desarticular um grupo que movimentou mais de R$ 27 milhões em contratos sob suspeita de fraude.

A investigação aponta que, nos últimos cinco anos, agentes públicos e empresários condicionaram a agilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) à assinatura de contratos de compra de livros da Editora Avante pelas prefeituras do estado. O caso ganha contornos de gravidade extrema pela natureza dos serviços envolvidos: o acesso à dignidade e à vida da população era, segundo o MPMS, mercantilizado para atender a interesses privados.

O modus operandi do grupo, liderado por uma família de empresários, envolvia a utilização de empresas de fachada e a influência direta sobre o setor de regulação estadual. O ex-coordenador de Regulação de Mato Grosso do Sul, Ed Carlo Britto Burgatt, teria sido peça-chave no esquema. Mensagens interceptadas pelo Gaeco revelam orientações explícitas para prejudicar o atendimento de cidadãos em cidades que resistiam à contratação: 'deixa o povo sem leito lá' e 'suspende as cirurgias', escreveu o então servidor em trocas de mensagens que chocaram os investigadores.

No dia 07/07/2026, a Operação Gutenberg resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e cidades de Goiás. Ao todo, 14 pessoas foram presas, incluindo membros da família Paroschi Jafar e servidores públicos. Até o momento, dois investigados permanecem foragidos. As defesas dos envolvidos alegam, em sua maioria, que ainda não tiveram acesso integral aos autos do processo e aguardam a formalização das denúncias para se pronunciarem.

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