ALERTA NAS VIAS

Saúde de motoristas é fator chave em acidentes, diz pesquisa

Acidente de trânsito em rodovia federal, com viatura da PRF e carros envolvidos, ilustrando a ocorrência
Divulgação/PRF

Associação Brasileira de Medicina de Tráfego analisa mais de 1,2 milhão de ocorrências em 10 anos.

Nesta domingo, 17 de maio de 2026, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou um estudo alarmante que aponta problemas de saúde física e emocional dos motoristas como responsáveis por quase um terço dos acidentes nas rodovias brasileiras. A análise, baseada em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2014 e 2024, revela a urgência de debater a condição dos condutores para preservar vidas e garantir a segurança nas estradas do país, um desafio que afeta diretamente milhões de cidadãos diariamente.

Questões como ausência de reação, sono, desatenção, transtornos mentais, mal súbito, uso de substâncias, além de consequências de doenças oculares e problemas motores e neurológicos, foram identificadas pela Abramet como causas de 1.206.491 acidentes. Este volume representa 27,8% das 4.339.762 ocorrências totais registradas pela PRF no período analisado.

Os dados vão além, apontando que 49% dos acidentes, o equivalente a 2.144.175 casos, estão diretamente relacionados ao comportamento dos condutores ao volante. Isso inclui infrações como ultrapassagens em local proibido e excesso de velocidade, fatores que a PRF classifica como de origem humana. "Esses dois fatores –humano e saúde– estão relacionados a aproximadamente 80% de todas as ocorrências viárias em rodovias federais no período analisado," destacou a Abramet, sublinhando que esta compreensão detalhada é possível graças à metodologia de registro da PRF, que captura o contexto de cada sinistro.

Falha Técnica e Fatores Ambientais

O levantamento também mostra outras causas relevantes. Problemas relacionados à infraestrutura das rodovias, como geometria inadequada da pista, defeitos no pavimento ou ausência de sinalização, representam 8% dos acidentes. Em seguida, com quase 7% das ocorrências, aparecem os acidentes ligados à conservação dos veículos, incluindo falhas de freio, pneus carecas, problemas na suspensão e nos faróis.

Por último, mas não menos importante, fatores ambientais – como chuvas intensas, neblina e animais na pista – aparecem como responsáveis por 4% das ocorrências. Esses números pintam um quadro complexo da segurança viária, onde a atenção à saúde e ao comportamento humano se mostra decisiva.

Distribuição Geográfica e Impacto Estadual

Ao analisar especificamente problemas de saúde física e mental relacionados aos acidentes, a Abramet identificou diferenças relevantes entre os Estados. A média nacional de acidentes causados por questões de saúde é de 28%, mas em algumas regiões, essa proporção é ainda mais crítica.

Dez Estados superam o índice nacional, com destaque para Roraima (35,1%), Mato Grosso do Sul (32,1%), Pará (30,3%), Rio Grande do Sul (30,1%) e Piauí (30%). Essas áreas, que muitas vezes possuem grande fluxo de transporte de cargas e viagens de longa distância, registram altos índices de fadiga, distúrbios do sono, e uso de álcool e outras substâncias psicoativas nos relatos da PRF.

Em números absolutos, as rodovias federais de Minas Gerais registraram a maior quantidade de acidentes decorrentes de problemas de saúde, com 154.648 casos. Também se destacam no ranking, em ordem decrescente, Paraná (134.358 casos), Santa Catarina (120.665), Rio Grande do Sul (95.059) e São Paulo (84.250 registros). Em contrapartida, Estados como Acre (4.219 casos), Amazonas (2.896) e Amapá (2.681) apresentaram os menores números de ocorrências, enquanto o Acre se alinhou exatamente à média nacional.

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas e campanhas de conscientização que abordem a saúde do motorista como um pilar fundamental da segurança no trânsito, buscando mitigar a perda de vidas e os graves impactos sociais e econômicos desses eventos trágicos.

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