FRAUDE E LAVAGEM
Sancionado pelos EUA, Victor Shimada fraudou programa de fidelidade da rede Ipiranga
Empresário movimentou R$ 35 milhões desviados do Abastece Aí via esquema de Pix; investigado recorre da condenação em liberdade.
O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sancionou o empresário Victor Shimada por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em decisão oficializada no início de julho de 2026. A medida, que repercute internacionalmente, expôs que o investigado não apenas possui conexões com organizações criminosas, mas também utilizou sua empresa, a Victory Trading, para executar fraudes complexas contra o setor privado, especificamente no programa de fidelidade Abastece Aí, da rede Ipiranga.
O impacto dessa conduta atingiu diretamente a estrutura de segurança financeira do Grupo Ultra. Entre os dias 11 e 12 de agosto de 2024, fraudadores realizaram 18 mil transações via Pix no sistema de pontos, alcançando 6,7 mil operações bem-sucedidas. O montante desviado, que totalizou R$ 206 milhões, foi pulverizado em mais de 60 instituições financeiras. Deste valor, cerca de R$ 35 milhões foram direcionados à Victory Trading, empresa de Shimada, utilizando a infraestrutura da Nvio Brasil e a corretora Bitso para viabilizar a remessa de R$ 32,8 milhões para o México.
A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que, além de ser alvo da sanção do governo de Donald Trump, Shimada já enfrentava condenação em primeira instância por furto qualificado mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, proferida no dia 3 de julho de 2025. O réu, que recorre da sentença em liberdade, alega através de sua defesa que a Victory Trading foi utilizada indevidamente pelos fraudadores e atribui a responsabilidade da falha operacional ao Banco Votorantim.
A ofensiva do governo dos Estados Unidos, realizada na quarta-feira, 8 de julho de 2026, antecipou a Operação Exchange, deflagrada pela PF na sexta-feira, 3 de julho de 2026. Embora mandados de busca e apreensão tenham sido expedidos, Shimada não foi localizado. O caso ganha contornos de urgência diante dos indícios de que o empresário, também associado a esquemas como a Farra do INSS e outros desvios investigados, avalia se entregar à justiça sob a garantia de um habeas corpus já preparado por sua defesa.
A lista de sancionados pelo Tesouro americano inclui ainda Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, e as empresas Pixwave, Wave e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. Enquanto as autoridades monitoram os desdobramentos, a soltura recente de outros envolvidos, como Stella Stefanie de Oliveira e João Gilberto Codognotto, reforça a complexidade do cenário processual para as forças de segurança brasileiras.
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