DISPUTA E CRÍTICAS
Samanda questiona autoridade de Walter para criticar gestão de Fátima
A pré-candidata ao Senado rebate acusações do vice-governador sobre a situação fiscal do Estado, classificando seu posicionamento como incoerente.
A pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) afirmou publicamente que o vice-governador Walter Alves (MDB) não possui autoridade para atuar como fiscal da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). A declaração, formalizada em um artigo publicado nesta sexta-feira, 10/07/2026, no jornal Agora RN, reflete a tensão política entre o Executivo e seu vice, que rompeu com a atual administração no início do ano.
O posicionamento de Samanda Alves surge em resposta a críticas recentes feitas por Walter Alves acerca da situação fiscal do Estado. Para a presidente do PT-RN, o vice-governador adota uma postura contraditória ao se distanciar das decisões administrativas de um governo do qual ainda faz parte institucionalmente. “Quem abre mão da responsabilidade de governar perde, a meu ver, parte da autoridade para posar de fiscal da gestão”, escreveu a dirigente.
O conflito ganhou contornos mais agudos após Walter Alves declarar, em entrevista à 98 FM no dia 06/07/2026, que não possui participação efetiva nas decisões do Executivo. O vice-governador, que não assumiu a gestão quando a governadora cogitou renunciar ao cargo para disputar a eleição, tem argumentado que herdaria um Estado em condição precária, citando déficit fiscal e dificuldades no pagamento de fornecedores como motivos para sua recusa.
Em resposta, Samanda Alves refutou as comparações feitas pelo emedebista entre a atual administração e o governo de Garibaldi Alves Filho, na década de 1990. Ela destacou que o cenário econômico e as obrigações fiscais mudaram drasticamente nos últimos 30 anos e relembrou a privatização da Cosern, realizada em 1997, como um fator que garantiu ao Estado um fôlego financeiro inexistente em 2019, quando o PT assumiu o governo com quatro folhas salariais em atraso.
A dirigente petista também vinculou a retórica do vice-governador à sua nova aliança política com o ex-governador Robinson Faria (PP), sugerindo que a preocupação de Walter Alves com o futuro do Rio Grande do Norte é incompatível com o histórico do grupo político que apoia. Samanda defendeu o legado da atual gestão, citando avanços em infraestrutura e o reconhecimento do RN no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional.
O debate aponta para uma polarização definitiva no cenário político potiguar, uma vez que não cabe recurso administrativo sobre as declarações políticas trocadas entre os atores. A disputa por qual narrativa prevalecerá sobre a gestão do Estado deve pautar os próximos capítulos da pré-campanha eleitoral no Rio Grande do Norte.
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