ANÁLISE DE LINGUAGEM

Especialistas analisam a retórica narcisista e o populismo autoritário de Donald Trump

Donald Trump discursando durante evento político.
O ex-presidente Donald Trump em um de seus comícios públicos.

Estudos linguísticos e históricos apontam que a estratégia comunicativa do ex-presidente americano utiliza o medo e a simplicidade vocabular para consolidar apoio.

A estratégia de comunicação de Donald Trump baseia-se na construção de um vínculo emocional direto com seus apoiadores, fundamentado na autoexaltação e na criação de inimigos externos. A análise de quase 4.000 falas públicas do político americano, realizada por especialistas em linguística e história, revela um padrão retórico que prioriza a simplicidade vocabular e a provocação de sentimentos de raiva e medo.

Para o professor Caetano Galindo, linguista e tradutor na Universidade Federal do Paraná, o estilo de Donald Trump é o de um orador espontâneo cujas obsessões giram em torno de uma autoimagem inflada. Essa estrutura discursiva, marcada por baixa variedade vocabular, reflete uma tentativa deliberada de apresentar ideias complexas de forma rudimentar, facilitando a identificação imediata com parcelas da população que se sentem isoladas ou negligenciadas pelo sistema político tradicional.

A retórica do republicano estabelece paralelos preocupantes com modelos autoritários do passado. O historiador John Abromeit, professor do Buffalo State College, associa o método de Donald Trump a teorias estudadas pelo Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. Segundo o pesquisador, o uso estratégico do populismo autoritário permite que o líder mobilize eleitores em prol de objetivos que, na prática, contrariam os próprios interesses socioeconômicos dessa base, como cortes em programas de saúde como o MedicAid e benefícios fiscais direcionados a oligarquias.

O impacto dessa comunicação vai além da política partidária e toca na estrutura da convivência social. Ao tratar instituições como universidades e a imprensa com hostilidade, Donald Trump estimula uma cultura de informalidade que deslegitima mediadores públicos. Essa tática, conforme apontam os especialistas, não é um fenômeno isolado, mas parte de um movimento mais amplo de ascensão de discursos que, ao prometerem a derrubada de elites, acabam por aprofundar divisões sociais e enfraquecer o compromisso com a verdade factual.

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