BRASA NA AMÉRICA

Saab considera Brasil hub de caças Gripen para América Latina

Um caça Gripen E em alta velocidade no céu.
Caça Gripen E em voo. (Crédito: Divulgação)

Empresa sueca Saab avalia usar planta da Embraer para atender contrato da Colômbia e possíveis vendas à Ucrânia, fortalecendo a presença no continente.

A empresa sueca Saab avalia transformar o Brasil em um centro de produção de caças Gripen para toda a América Latina. A decisão estratégica, anunciada pelo CEO Micael Johansson, visa expandir a capacidade produtiva em território brasileiro para atender tanto clientes atuais quanto futuros, reforçando a parceria com a Embraer.

A companhia sueca pretende maximizar o uso da planta da Embraer em Gavião Peixoto (SP) para cumprir um contrato firmado com a Colômbia. O acordo, cujo valor é de 3,1 bilhões de euros, prevê a entrega de 17 aeronaves Gripen (15 monopostos E e 2 bipostos F) entre 2026 e 2032. A intenção é que parte significativa dessa produção ocorra no Brasil, o que representa um impulso tecnológico e econômico para o país.

Além do mercado colombiano, o Brasil poderá se beneficiar da possível venda de caças Gripen para a Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou a intenção de adquirir 20 aeronaves, após a União Europeia aprovar um empréstimo de 90 bilhões de euros para o país. Johansson confirmou que a fabricação das aeronaves ucranianas ainda não foi definida, mas que a demanda poderá ser suprida tanto em Linköping, na Suécia, quanto em Gavião Peixoto.

Parceria sueco-brasileira fortalecida

A Saab e a Embraer já possuem um acordo de cooperação que envolve o compartilhamento de tecnologia de defesa. Em março, a fabricante brasileira apresentou o primeiro caça Gripen E montado integralmente no Brasil. O programa inclui o treinamento de centenas de especialistas brasileiros em produção, montagem e manutenção.

Ao todo, 15 das 36 aeronaves Gripen E/F adquiridas pela Força Aérea Brasileira (FAB) terão a montagem final realizada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), com entregas previstas até 2032. Empresas como AEL Sistemas e Atech também integram a cadeia produtiva, fornecendo sistemas aviônicos, estruturas e componentes estratégicos.

O CEO da Saab destacou que o aumento da demanda global por aeronaves de combate, impulsionado por tensões geopolíticas, torna a expansão da capacidade produtiva no Brasil uma estratégia inteligente e necessária. A movimentação visa não apenas atender pedidos existentes, mas também posicionar a América Latina como um polo estratégico para a indústria aeronáutica de defesa.

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