PATRIMÔNIO MUNDIAL ATINGIDO
Rússia ataca mosteiro histórico na Ucrânia, gerando condenações internacionais
Ofensiva russa provocou danos ao complexo monástico Lavra de Kyiv-Pechersk, Patrimônio Mundial da Unesco, e deixou mortos e feridos em outras cidades.
Em uma extensa ofensiva aérea na madrugada de terça-feira, 16/06/2026, a Rússia atingiu a Lavra de Kyiv-Pechersk, um dos mais importantes símbolos religiosos e históricos da Ucrânia. O ataque, que provocou danos significativos ao complexo monástico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, também deixou ao menos nove mortos e dezenas de feridos em diversas regiões do país. A decisão de realizar a ofensiva, segundo autoridades ucranianas, envolveu cerca de 70 mísseis e 611 drones, configurando uma das maiores operações aéreas dos últimos meses.
Os principais alvos da investida russa concentraram-se nas cidades de Kiev, Kharkiv e Dnipro. Apesar da ação das forças de defesa ucranianas, que interceptaram ou neutralizaram eletronicamente 632 projéteis, pelo menos 20 mísseis balísticos e 27 drones conseguiram atingir 42 localidades. Entre os locais atingidos está a Lavra de Kyiv-Pechersk, conhecida como Mosteiro das Cavernas. Fundado em 1051, este complexo religioso é um centro histórico do cristianismo ortodoxo no Leste Europeu e integra a lista de Patrimônios Mundiais da Unesco. Durante o ataque, o telhado da Catedral da Dormição sofreu danos e pegou fogo.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou o episódio como um dos mais graves ataques contra o patrimônio religioso do país desde o início da guerra. Em mensagem na rede social X, Zelensky declarou que o bombardeio representa “um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até hoje” e reiterou seu pedido por mais apoio militar, especialmente sistemas de defesa antiaérea, aos países do G7.
Lideranças religiosas também condenaram a ação. O metropolita Epifânio, chefe da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, classificou o ataque como “mais um crime contra a humanidade, contra a história e contra o cristianismo”. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia anunciou que acionará formalmente a Unesco para buscar uma resposta internacional e avaliar os danos causados ao patrimônio protegido.
A destruição de bens culturais gerou forte reação na Europa. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, comparou o ataque a um hipotético bombardeio contra marcos históricos franceses, como a Catedral de Notre Dame ou a Basílica de Saint-Denis, considerando a ação “totalmente inaceitável” por se tratar de um patrimônio mundial da Unesco.
Além dos danos ao patrimônio histórico, a ofensiva russa provocou mortes e destruição em áreas residenciais. Em Kiev, o chefe da Administração Militar da cidade, Tymur Tkachenko, informou que ao menos quatro pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas, incluindo duas crianças, após mísseis atingirem alvos civis nos distritos de Shevchenkivskyi e Obolonskyi. Em Kharkiv, cinco mortes foram registradas, com suspeitas de uso da tática “double tap” contra equipes de resgate. Em Dnipro, uma instituição de ensino e a Casa de Música de Órgão e Câmara foram atingidas. Na província de Sumy, um míssil atingiu um prédio residencial, deixando três feridos, entre eles uma criança.
Em resposta, a Ucrânia lançou drones contra duas pontes que ligam a região de Kherson à Crimeia, interrompendo o tráfego. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, informou ter derrubado 123 drones ucranianos e afirmou que seus ataques tiveram como alvos exclusivamente instalações militares, confirmando que “os objetivos foram cumpridos”.
O incidente ocorre em um momento de intensificação dos combates e amplia a pressão internacional sobre o Kremlin, reforçando as preocupações de organismos internacionais sobre os impactos da guerra sobre bens culturais de valor universal. A Rússia negou ter atingido deliberadamente o complexo religioso.
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