ZEMA CRÍTICO
Romeu Zema afirma não ter proximidade com Flávio Bolsonaro e critica o STF
Pré-candidato à Presidência, ex-governador de Minas Gerais se distancia de Flávio Bolsonaro e define o STF como um "poder incendiário".
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira, 19/06/2026, que "nunca foi próximo" do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante agenda no Recife, o político concedeu entrevista a rádios locais e reiterou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a corte como um "poder incendiário".
A declaração de Zema surge em meio à repercussão dos vínculos entre Flávio Bolsonaro, ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Vorcaro foi preso sob suspeita de chefiar um esquema de fraudes financeiras que, segundo a Polícia Federal, pode atingir R$ 12 bilhões.
Em maio, veio à tona a informação de que Vorcaro auxiliou no financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a vida de Jair Bolsonaro. As negociações teriam envolvido contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente. Inicialmente, o senador omitiu sua relação com o dono do Master, a quem chegou a visitar enquanto o banqueiro utilizava tornozeleira eletrônica.
Posteriormente, um áudio em que o senador cobra dinheiro de Vorcaro para o filme foi divulgado. Logo após a revelação, Zema criticou o senador, declarando que "cobrar dinheiro de Vorcaro é imperdoável" e que "não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa".

"Nós nunca fomos próximos. Eu estive mais próximo do Bolsonaro, porque fui governador enquanto ele presidente, apoiei ele em 2022, eu fui reeleito em primeiro turno em Minas Gerais. Mesmo o Bolsonaro lançando um candidato que teve quase 10% dos votos. Então, foi um presidente que levou coisas boas para os mineiros, como a ampliação do metrô, que teve a aporte federal. Com o senador [Flávio Bolsonaro] eu não tive muito contato", explicou Zema.
"O Supremo tinha respeito no passado. Até uns 15 anos atrás, sempre foi um porto seguro, quase que um poder moderador. Recentemente se transformou num poder incendiário, está jogando gasolina no incêndio. Em vez de estar amenizando as crises, está criando novas crises. Mas eu tenho muita confiança que nós vamos ter uma renovação no Senado e que essas frutas podres vão ser eliminadas", afirmou.
Outro ponto abordado por Zema foi a inclusão do líder do governo no Congresso, senador Jaques Wagner (PT-BA), na lista de investigados no Caso Master. A Polícia Federal apura se o senador recebeu pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso favoráveis ao Banco Master, como a "Emenda Master". Há suspeitas envolvendo a compra de um apartamento de luxo em Salvador e um pagamento de R$ 3,5 milhões. O senador nega irregularidades.
"É mais um que se considera acima da lei, acima de tudo. Criou-se aqui no Brasil, depois que a Lava Jato foi anulada, um punhado de gente 'descondenados', que você pode fazer essas estripulias, essas maracutaias, que nada vai acontecer. E eu sou o único pré-candidato que tem denunciado isso com força, de maneira muito clara. Não podemos tolerar isso mais", concluiu Zema.
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