ENERGIA RENOVADA
RN celebra marco de 1 GWp em energia solar distribuída e impulsiona economia
O Rio Grande do Norte registra 122.297 sistemas conectados e 1.047,9 MWp de potência instalada até março de 2026, com impacto direto na dignidade dos cidadãos.
O Rio Grande do Norte celebrou uma conquista notável no setor de energia solar distribuída, atingindo 122.297 sistemas conectados à rede e superando a marca de 1 gigawatt-pico (gWp) em potência instalada até março de 2026. Este avanço, revelado pelo Observatório da Energia Solar com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e elaborado pela JVilar Consultoria, representa um salto significativo para a autonomia energética da população e a economia potiguar. A expansão reflete a crescente busca por independência frente aos aumentos nas contas de luz e promete mais dignidade e qualidade de vida aos cidadãos.
Os dados detalhados do Observatório indicam que o acréscimo foi de 6,7% em relação ao ano anterior, totalizando 7.760 novos sistemas conectados nos primeiros três meses de 2026. Em termos de potência instalada, o acumulado atingiu 1.047,9 mWp, consolidando o Rio Grande do Norte como um polo estratégico na geração distribuída.
Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), avalia que o resultado é extremamente positivo e evidencia a forte demanda da população por soluções econômicas. Ao gerar a própria energia, os consumidores protegem-se dos sucessivos reajustes nas tarifas elétricas. Oliveira complementa que a redução nos preços dos painéis solares torna o investimento ainda mais atrativo.
A análise do Observatório de Energia Solar aponta que o segmento residencial lidera, respondendo por 86,2% dos sistemas de energia solar distribuída e 64,9% da potência instalada no Rio Grande do Norte. Na sequência, surgem os sistemas comerciais, que representam 10% da quantidade de conexões e 24,9% da potência instalada.
Williman Oliveira atribui essa predominância residencial a dois fatores-chave: a necessidade de espaço para instalação e o modelo de compensação de energia. Para residências, o telhado próprio geralmente basta, enquanto setores econômicos exigem áreas maiores. Sobre a compensação, ele explica o potencial das usinas de atender múltiplos consumidores remotamente. “Nós temos 122 mil usinas instaladas, mas imagine, por exemplo, que há pelo menos o dobro de pessoas que utilizam a geração distribuída como compensação. Isso porque essas usinas geram para atender uma demanda de pessoas que recebem a geração remotamente. Então, eu posso montar uma usina no interior e atender cerca de três a quatro residentes”, detalha o presidente da APER.
Lorena Roosevelt, gerente do Polo de Energias Renováveis do Sebrae-RN, reforça que o setor de energia solar distribuída amadurece à medida que os consumidores adquirem maior conhecimento sobre o mercado. Somado à qualificação técnica das empresas locais, fatores globais como a crise do petróleo e o crescimento dos veículos elétricos impulsionam ainda mais o segmento.
“Esta é a dobradinha perfeita: o consumidor consegue gerar sua própria energia por meio da energia solar e, ao mesmo tempo, usar o veículo elétrico carregando na própria residência. Então vira um ciclo poderoso e virtuoso de economia tanto para as residências como para negócios, comércio, indústria, e agronegócio”, conclui Lorena Roosevelt.
No panorama municipal, Natal se destaca com a maior quantidade de conexões no Rio Grande do Norte, somando 21.401 sistemas e 187.396,84 kWp em potência instalada. Mossoró segue com 20.367 conexões e Parnamirim registra 12.266. Juntas, as três cidades concentram 17,5%, 16,7% e 10,0% dos sistemas instalados no Estado, respectivamente.
Williman Oliveira esclarece que essa distribuição reflete a localização estratégica e as particularidades da ocupação urbana de cada município. “Em Mossoró, por exemplo, há poucos prédios e muitas residências, então a percepção de instalação e facilidade de conexão à rede é maior. Já em Natal, há uma mescla, com muitas residências e prédios que aderiram à energia solar”, aponta.
Lorena Roosevelt enfatiza que, apesar da expansão mais visível no setor residencial, os demais segmentos não ficam para trás. “No Brasil e no mundo, a tendência maior é residencial, mas nós vemos um crescimento também para a área comercial, industrial e agronegócio. A energia solar distribuída é democrática e cabe em todos os espaços”, afirma.
O presidente da APER, Williman Oliveira, reitera a importância da Geração Distribuída (GD) como um investimento transformador para o cidadão. “A GD é um grande investimento para o cidadão e tem levado para todo o estado desenvolvimento para pequenos negócios e pequenas empresas, porque é uma conta que passa a ser subsidiada pela energia do sol. Então, a partir do momento que o cidadão faz esse investimento, ele tem a geração na casa dele, para seu negócio que com certeza consegue ter mais dignidade e ter uma qualidade de vida melhor”, finaliza.
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