IMPACTO AMBIENTAL URBANO

MPPA investiga risco de ilhas de calor com instalação de data center em Belém

Imagem representativa de infraestrutura de tecnologia em Belém.
Projeto BEL1 da Elea Data Centers em Belém, no bairro do Barreiro.

Ministério Público apura falta de licenciamento e impacto térmico do projeto BEL1, da Elea Data Centers, que pode elevar temperaturas na capital paraense.

A instalação do primeiro data center voltado para Inteligência Artificial na Amazônia, o BEL1, tornou-se alvo de um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público do Pará (MPPA). A estrutura, de responsabilidade da Elea Data Centers, será erguida na área portuária de Miramar, no bairro do Barreiro, em Belém, levantando preocupações sobre o agravamento das altas temperaturas na região urbana.

O inquérito busca esclarecer riscos de formação de "ilhas de calor" e a ausência de licenciamento ambiental específico. O promotor Márcio Maués, da 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, questiona a legalidade do empreendimento diante do potencial dano climático e da falta de consultas públicas obrigatórias, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O temor baseia-se em estudos da Universidade de Cambridge, que indicam que data centers podem elevar a temperatura do solo em até 2°C em um raio de quilômetros, com picos ainda maiores. A proximidade com comunidades ribeirinhas, como a Ilha das Onças, e bairros populosos como Sacramenta e Pratinha, torna a questão um desafio de saúde pública e dignidade social.

Enquanto a Elea afirma que o projeto inicial de 7,5 megawatts — com meta de expansão para 100 MW — será operacionalizado com sistemas de resfriamento industrial, órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente de Belém (Semma) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Semas-PA) confirmaram, em julho de 2026, a ausência de processos de licenciamento ou relatórios de impacto ambiental (RIMA) em andamento.

A ausência de uma regulamentação brasileira específica para data centers agrava o cenário. A Elea sustenta que cumpre os trâmites gerais, mas especialistas como o pesquisador Juliano Ximenes, da UFPA, alertam que a dissipação contínua de calor e a poluição sonora severa exigem rigor técnico e diálogo transparente com a população local, que até agora não foi ouvida sobre as mudanças iminentes em seu território.

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