ALERTA ECONOMIA BRASIL
Risco de tarifas entre Brasil e Estados Unidos preocupa JPMorgan
Economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, alerta que retaliação brasileira a tarifas impostas pelos EUA seria o maior risco para a relação bilateral, pressionando ainda mais a inflação doméstica.
A economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, destacou nesta terça-feira, 09/06/2026, que a maior ameaça à relação entre o Brasil e os Estados Unidos reside na possibilidade de uma retaliação brasileira às recentes tarifas comerciais impostas pelos americanos. A declaração foi feita durante o Seminário Econômico Brasil-EUA, em São Paulo.
Segundo Fernandez, o Brasil deve priorizar a negociação com o governo do presidente Donald Trump. No entanto, a imposição de novas tarifas de importação agravaria a inflação doméstica, em um cenário econômico já desafiador para o País. "O maior risco que a gente tem hoje seria uma possível retaliação e escalada dessas tarifas", afirmou a economista.
O evento contou com a participação de economistas, ex-ministros e do Cônsul-Geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami. Fernandez explicou que a tarifa comercial média dos EUA para o Brasil, atualmente em cerca de 11%, poderia saltar para 19% se o anúncio de tarifas adicionais de 25% se concretizar.
Apesar do potencial de crescimento das exportações brasileiras para os EUA, a economista ressaltou que o volume atual é pequeno. "Se a tarifa for de 10%, 25% ou 50%, vai ter impacto em cadeias específicas, e aqui não se trata de negligenciar o custo que isso pode ter para alguns setores. Mas o maior risco que vemos hoje é o da escalada e retaliações nessas tarifas", reforçou.
Fernandez observou uma assimetria econômica entre Brasil e Estados Unidos, onde a pressão das tarifas comerciais contrasta com um forte fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IDP) dos EUA no Brasil. "É o investimento estrangeiro direto vindo dos Estados Unidos que sustenta uma boa parte da nossa capacidade produtiva e empregos qualificados", disse.
A economista defendeu que a agenda bilateral se concentre na proteção do ambiente de investimento direto. A expectativa do JPMorgan é que o IDP total recebido pelo Brasil neste ano alcance 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), com cerca de 19% originários dos EUA, superando significativamente o investimento da China, estimado entre 7% e 8%. "Acho que a gente deve focar também em proteger e atrair mais investimento direto. E para isso, precisamos de agenda regulatória confiável, previsibilidade e estabilidade macroeconômica."
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