QUEDA DA VIOLÊNCIA
Rio Grande do Norte registra queda de 64% em homicídios em nove anos, aponta Atlas da Violência
Dados divulgados pelo Ipea e FBSP nesta terça-feira, 26, mostram que o Rio Grande do Norte saiu de 2.203 mortes em 2017 para 809 em 2024. A taxa por 100 mil habitantes caiu de 65,6 para 23,5.
O Rio Grande do Norte (RN) registrou uma redução expressiva de aproximadamente 64% nos homicídios entre 2017 e 2024. Em 2017, o Estado havia atingido o pico de sua série recente de violência letal, com 2.203 crimes registrados. Em 2024, esse número caiu para 809 casos. Paralelamente, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes despencou de 65,6 para 23,5, indicando uma diminuição de 64,1% nesse indicador.
As informações constam no Atlas da Violência 2026, estudo lançado nesta terça-feira, 26, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em colaboração com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento destaca ainda que o Rio Grande do Norte apresentou uma das maiores quedas proporcionais do País na última década. Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios no Estado recuou 51,6%, enquanto o número absoluto de mortes diminuiu 49,5%.
O ano de 2024 marcou uma redução de 15,3% no número de homicídios no RN em comparação com 2023, quando foram contabilizados 955 crimes. No ano passado, o total de mortes caiu para 809, e a taxa por 100 mil habitantes passou de 27,8 para 23,5, uma retração de 15,5%.
A análise da série histórica revela que o agravamento da violência no Estado ocorreu entre 2014 e 2017. Durante esse período, o número de homicídios saltou de 1.602 para 2.203, e a taxa por 100 mil habitantes aumentou de 48,6 para 65,6. A partir de 2018, os indicadores entraram em trajetória descendente, com registros de 1.825 homicídios em 2018; 1.346 em 2019; 1.406 em 2020; 1.179 em 2021; 1.167 em 2022; 955 em 2023; e 809 em 2024.
O levantamento posiciona o RN como o quinto estado brasileiro e o segundo da região Nordeste com a maior redução na taxa de mortes violentas intencionais entre 2014 e 2024, com uma queda de 51,6%. Esse desempenho coloca o estado potiguar em destaque no enfrentamento à violência letal na última década. Em nível nacional, as maiores reduções nesse período foram registradas no Distrito Federal (-66,2%), Goiás (-58,4%), Sergipe (-54,6%), São Paulo (-53,2%) e Rio Grande do Norte (-51,6%).
Em termos nacionais, o Brasil contabilizou 42.590 homicídios em 2024, com uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Esse resultado representa uma diminuição de 6,9% no número absoluto de mortes e de 7,4% na taxa em comparação com o ano anterior.
O estudo do Ipea e FBSP reforça a manutenção da tendência de queda na violência letal em âmbito nacional, apesar de reconhecer que a evolução é heterogênea entre as unidades da federação. Entre 2014 e 2024, a taxa nacional caiu 33,4%, e o número de homicídios recuou 29,6%.
Apesar da redução geral, a distribuição da violência no país permanece desigual. Em 2024, 18 estados apresentaram taxas de homicídios superiores à média nacional. Os índices mais elevados foram observados no Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).
Por outro lado, os menores índices de violência letal foram registrados em São Paulo (6,6), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2).
O Atlas da Violência 2026 aponta que o Brasil atingiu, em 2024, o menor patamar de homicídios e de taxa por 100 mil habitantes desde 1998. A publicação ressalta, contudo, que a recente queda, embora ampla, não foi homogênea, com aumentos pontuais registrados em estados como Maranhão e Ceará. A desigualdade geográfica da violência letal persiste, com concentrações elevadas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto as regiões Sul, Sudeste e o Distrito Federal mantêm os indicadores mais baixos do país.
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