ALERTA FISCAL ESTADUAL

Rio Grande do Norte lidera avanço de gastos públicos em ano eleitoral, mas enfrenta sufoco financeiro

Gráfico mostrando aumento de gastos públicos no Rio Grande do Norte em 2026.
Governo do RN busca equilibrar investimentos e finanças em ano de eleições.

Apesar de saltar 575,5% em investimentos com base em crédito, estado tem caixa negativo em R$ 3 bilhões e corta R$ 497 milhões em despesas.

Nesta quinta-feira, 11/06/2026, o estado do Rio Grande do Norte se encontra em uma encruzilhada econômica, dividindo-se entre um crescimento expressivo nos investimentos públicos e um grave aperto financeiro. A decisão de impulsionar gastos, impulsionada por empréstimos e operações de crédito, visa acelerar projetos de infraestrutura em um cenário de ano eleitoral, mas levanta sérias preocupações sobre a sustentabilidade fiscal futura. Especialistas alertam que a falta de liquidez em caixa, com um déficit estimado em R$ 3 bilhões, pode comprometer as finanças do estado nos próximos anos. Para tentar conter o avanço das despesas, o governo estadual publicou um decreto cortando R$ 497 milhões do orçamento. Essa medida surge após a constatação de que as receitas não acompanharam o ritmo de crescimento dos gastos, colocando o RN entre os estados com maior divergência fiscal do Brasil, ao lado de Maranhão. A situação é agravada pela expectativa de que os estados brasileiros fechem 2026 com um déficit agregado de R$ 6 bilhões, uma reversão significativa em relação ao superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025. O momento desafiador ocorre justamente às vésperas da eleição para o Poder Executivo estadual, com a troca de comando prevista para janeiro de 2027. Dados do Tesouro Nacional, compilados pelo jornal Valor Econômico, revelam um avanço proporcional de 575,5% nos investimentos liquidados pelo governo do RN nos primeiros quatro meses de 2026. Esse índice representa o maior crescimento entre os estados brasileiros. No entanto, o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, ressalta que essa aceleração em ano eleitoral possui uma armadilha: a dependência de financiamentos. Embora os recursos liberados sirvam para impulsionar obras e projetos no presente, eles geram compromissos financeiros de longo prazo, com potencial de "sangrar os cofres públicos" nos anos vindouros. A fragilidade financeira do Rio Grande do Norte não se manifesta apenas no volume total de sua dívida, mas principalmente na sua liquidez. A falta de recursos disponíveis para honrar despesas correntes e cotidianas é o ponto mais crítico. Segundo a XP, o RN se destaca como o segundo estado cujos gastos crescem em velocidade desproporcional à arrecadação, ficando atrás apenas do Maranhão. Essa disparidade inseriu o RN em um grupo restrito de cinco unidades federativas que operam com resultado fiscal negativo em 2026, juntamente com Tocantins, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul. O relatório da XP Investimentos projeta um cenário de déficit fiscal agregado para os estados brasileiros em 2026. A estimativa é de R$ 6 bilhões, um contraste drástico com o superávit de R$ 6,6 bilhões alcançado em 2025. Esse quadro fiscal delicado em 2026 intensifica o debate sobre a gestão dos recursos públicos e a sustentabilidade das contas estaduais em um período de transição política.

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