DESCOBERTA CIENTÍFICA REVELADORA

Revisão de fósseis em Corumbá redefine marco evolutivo na Terra

Imagem colorida mostra fósseis em rocha encontrados em Corumbá.
Fósseis encontrados em Corumbá revelam nova perspectiva sobre organismos do período Pré-Cambriano.

Pesquisadores da Unesp e Harvard identificam que fósseis antes considerados animais complexos são, na verdade, colônias de bactérias e algas.

A compreensão sobre a transição biológica na Terra foi reavaliada por uma equipe internacional de cientistas após a reanálise de vestígios microscópicos encontrados em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. A descoberta, consolidada em 13/07/2026, corrige interpretações anteriores que classificavam registros fósseis de 540 milhões de anos como animais complexos, revelando que os organismos tratam-se de estruturas mais simples, como aglomerados de bactérias e macroalgas.

A investigação reexamina um período crucial da história geológica: a passagem do período Pré-Cambriano para o Cambriano. Entender esse intervalo é fundamental para a ciência, pois marca o momento em que a vida no fundo dos oceanos começou a apresentar maior diversidade e complexidade. O erro na classificação original, apontado em 2017, persistia até que novas tecnologias analíticas permitissem identificar, com precisão, a composição celular e a estrutura de filamentos desses seres.

O estudo foi conduzido por Lucas Warren, docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, e Bruno Becker-Kerber, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Os resultados detalhados foram publicados na revista científica Gondwana Research em fevereiro de 2026. A revisão metodológica utilizou técnicas avançadas para distinguir estruturas que, anteriormente, foram interpretadas erroneamente como túneis escavados por animais.

Segundo a equipe, os exemplares mais finos foram identificados como cianobactérias similares ao gênero Oscillatoria, enquanto as formas mais robustas correspondem a algas ou bactérias filamentosas. Lucas Warren destaca, em entrevista ao Jornal da Unesp, que a correção de hipóteses faz parte do avanço da ciência, permitindo eliminar ruídos interpretativos que se consolidaram por anos e estabelecendo novos critérios para futuras análises de materiais semelhantes.

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