CIÊNCIA E MAR
Registro raro da maior espécie de raia do mundo ocorre em Guarapari
Pesquisadores captam imagens de um exemplar de Mobula birostris com quase seis metros de envergadura durante monitoramento científico no litoral capixaba.
A maior espécie de raia do mundo foi registrada em uma expedição científica em alto-mar, na costa de Guarapari, no litoral Sul do Espírito Santo, na última segunda-feira (27). A raia-jamanta, também conhecida como raia-manta (Mobula birostris), impressiona pelo porte, podendo atingir até oito metros de envergadura e pesar cerca de duas toneladas.
O flagrante ocorreu durante uma atividade do Programa de Monitoramento de Cetáceos, Porto de Tubarão, conduzida pelo Instituto O Canal/Jubarte.lab. Enquanto a equipe percorria uma área a cerca de 20 milhas náuticas da costa para o monitoramento de baleias, o animal surgiu próximo à embarcação, permanecendo no local por aproximadamente 45 minutos.
A bióloga marinha Bruna Rezende Gonçalves, coordenadora-geral do Projeto Amigos da Jubarte/Jubarte.lab, descreveu a surpresa da equipe ao se deparar com a visitante inesperada. “No primeiro momento, pensamos que pudesse ser a nadadeira dorsal de um golfinho. Depois, pelo jeito de nadar, imaginamos que fosse um tubarão. Quando consegui observar de um ponto mais alto, identifiquei que era uma raia-jamanta”, relatou.
A interação permitiu que os pesquisadores utilizassem técnicas de fotogrametria com drones para estimar o tamanho da criatura. Segundo Bruna, foi possível calcular uma envergadura de aproximadamente 5,8 metros, confirmando tratar-se de um indivíduo adulto. Apesar da proximidade, não foi possível identificar o sexo do animal, que exige a visualização da parte inferior do corpo.
O biólogo e especialista em peixes João Luiz Gasparini explicou que, embora a espécie tenha distribuição natural no litoral brasileiro, avistamentos diretos são pouco frequentes. A presença do animal no Espírito Santo reforça a importância da conservação, já que a Mobula birostris enfrenta riscos como a pesca acidental, o impacto de grandes embarcações e a poluição marinha.
Esta foi a terceira vez em uma década que o grupo de pesquisadores obteve o registro da espécie durante seus monitoramentos. Para a equipe, o encontro representou um momento singular de conexão com a vida selvagem, reforçando o papel essencial das expedições para a compreensão da fauna marinha local.
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