POLÍTICA EM XEQUE
Redes sociais dificultam construção de pontes na política brasileira, alerta cientista político Cortez
Rafael Cortez avalia que plataformas digitais promovem radicalização e fecham o espaço para renovação, especialmente no Congresso.
O cientista político Rafael Cortez afirmou que as redes sociais se tornaram um dos maiores obstáculos para a construção de consensos e a moderação no cenário político do Brasil. Em entrevista ao WW Especial, ele detalhou como a dinâmica dessas plataformas impacta a renovação política no país, tanto em eleições presidenciais quanto legislativas. A análise foi divulgada neste domingo, 24/05/2026.
Cortez destacou que a lógica de funcionamento das redes sociais é inerentemente contrária aos princípios democráticos de pluralidade e respeito às diferenças. "Rede social não é um instrumento que opera numa lógica de pluralidade, numa lógica de respeito à diferença, de construção de acordos", explicou.
Segundo o cientista, a comunicação política nesses ambientes digitais tende à radicalização. Enquanto partidos deveriam buscar convencer a população sobre a validade de suas propostas, as redes sociais operam no sentido inverso. "A política por rede social é o contrário. Ela é nichada, exagerada e radicalizada. Ela fala para cada público", disse. Esse ambiente, na visão de Cortez, impede a percepção de que acordos, pontes e renovação política são possíveis.
O especialista também criticou o efeito contraproducente de algumas reformas políticas recentes no Brasil. Ele apontou que mecanismos como a cláusula de barreira e o modelo de financiamento de campanha têm favorecido a concentração do poder político. "Quem é grande tem muito dinheiro e o financiamento eleva o poder na eleição futura", observou. Cortez lembrou que, se antes a crítica era à fragmentação excessiva de partidos, o problema agora é o movimento oposto: a concentração.
Embora a eleição presidencial historicamente concentre-se em poucas forças, Cortez expressou maior preocupação com o Congresso. "O que eu acho mais grave é que nós estamos fechando também as eleições legislativas para essa renovação", lamentou, enfatizando que o sistema proporcional deveria, por princípio, abrigar maior diversidade política.
A entrevista completa com Rafael Cortez foi apresentada no programa WW Especial, comandado por William Waack e exibido em todas as plataformas da CNN Brasil.
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