SAÚDE E CIÊNCIA

Atraso menstrual e teorias da conspiração: o que diz a ciência

Ilustração médica sobre o ciclo menstrual feminino.
Alterações no ciclo menstrual possuem causas biológicas identificáveis pela medicina.

Especialistas descartam influência de fenômenos atmosféricos ou do LHC no ciclo menstrual, apontando fatores biológicos reais.

Relatos de atraso no ciclo menstrual têm circulado nas redes sociais acompanhados de teorias que atribuem o fenômeno à ressonância de Schumann ou ao funcionamento do LHC. A disseminação desses conteúdos, que buscam explicar mudanças corporais através de eventos externos distantes, ignora a complexa realidade biológica que rege a saúde feminina.

Vídeos que viralizaram recentemente sugerem que a ressonância de Schumann — um fenômeno ondulatório na ionosfera — ou o acelerador de partículas LHC, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), seriam responsáveis por alterações globais no tempo e, consequentemente, na menstruação. Para esclarecer a veracidade dessas afirmações, físicos especialistas foram consultados e foram unânimes: não existe qualquer base científica que vincule esses fenômenos a processos biológicos humanos.

O que diz a física

A ressonância de Schumann é um fenômeno natural real na ionosfera, mas sua natureza é de baixa energia e inofensiva. O professor Emerson Bezerra Conceição Junior, da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que se a simples vibração da natureza fosse capaz de interferir no organismo, o impacto de outras ondas cotidianas, como o rádio, seria imediato. A ideia de que tempestades solares intensificariam esse efeito de forma a alterar células humanas carece de evidência científica.

Quanto ao LHC, o maior acelerador de partículas do mundo situado entre França e Suíça, a pesquisadora Gabriela Bailas — que já atuou no CERN — desmistifica sua influência no espaço-tempo externo. O acelerador, que entrou em fase de manutenção batizada de Long Shutdown 3 em junho de 2026, não possui a capacidade de alterar a realidade fora de seu túnel de 27 quilômetros.

Fatores reais para o atraso

O ginecologista Marcelo Steiner explica que o eixo hormonal feminino é extremamente sensível a fatores cotidianos. O reconhecimento coletivo de sintomas em vídeos virais ocorre porque o atraso menstrual é uma queixa comum causada por motivos clinicamente comprovados, como:

  • Estresse e alterações emocionais;
  • Déficit energético por má alimentação ou exercício físico intenso;
  • Síndrome do ovário policístico (SOP);
  • Alterações na tireoide e variações de peso (sobrepeso ou obesidade).

A orientação médica é clara: caso haja qualquer alteração persistente no ciclo, a busca por um profissional de saúde é o único caminho seguro para diagnóstico e tratamento adequados, descartando explicações pseudocientíficas.

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