ALERTA AGRONEGÓCIO

Quase metade dos fertilizantes brasileiros vem de zonas de guerra, aponta Cogo

Foto de lavoura verde com fertilizantes
Foto: Kashif Shah

Brasil importou 88% dos adubos em 2025, um recorde de 45,5 milhões de toneladas. Custos da safra sob pressão.

{ "blocks": [ { "type": "paragraph", "data": { "text": "Um relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios, assinado por Carlos Cogo, revela que o Brasil se consolidou, em 2025, como o maior importador mundial de fertilizantes, alcançando a marca histórica de 45,5 milhões de toneladas e dependendo de 88% do insumo externo. Essa massiva aquisição é impulsionada pela robustez do agronegócio nacional, uma potência em soja, carne e café, mas expõe o país a uma perigosa vulnerabilidade: cerca de 45% desses adubos vêm de nações com histórico de instabilidade política e conflitos, como Rússia, Bielorrússia e Irã, cenário que já eleva os custos da próxima safra e ameaça encarecer os alimentos nas mesas dos brasileiros." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do mundo, líder na produção e exportação de commodities essenciais, o Brasil mantém uma dependência significativa dos fertilizantes. O recorde de importação de 45,5 milhões de toneladas em 2025, com 88% dos adubos utilizados provenientes do exterior, sublinha essa fragilidade estratégica." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Mais alarmante, cerca de 45% dos fertilizantes que chegam ao Brasil vêm de países com alta propensão a instabilidade política ou violência geopolítica, incluindo Rússia, Bielorrússia, Irã, Nigéria, entre outros, segundo o levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócios." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Essa dependência crescente torna o Brasil suscetível a aumentos bruscos de preços. Um exemplo recente foi a disparada dos fertilizantes em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, decorrente do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Os custos de produção da próxima safra devem ser diretamente impactados, exercendo pressão sobre os preços dos alimentos no mercado interno. A ausência de um impacto imediato se deve, em grande parte, ao fato de que boa parte dos plantios e colheitas deste ano utilizou adubos adquiridos antes do agravamento da situação global." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "

O choque externo expõe a fragilidade

" } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A consultoria Cogo Inteligência em Agronegócios alerta que a dependência brasileira de países em conflito deixou de ser uma ameaça teórica para se materializar com força em episódios recentes, expondo a vulnerabilidade do setor." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, representou o teste mais severo até então para o agronegócio brasileiro. Com as sanções econômicas impostas à Rússia – que respondia por cerca de 23% das importações de fertilizantes do Brasil –, os preços dispararam. Naquele período, o custo do insumo subiu para os produtores nacionais, mas um clima favorável garantiu uma safra recorde, evitando o repasse direto ao consumidor final." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Mais recentemente, o conflito entre Israel e Irã trouxe um novo choque ao mercado global. A paralisação de fábricas iranianas de ureia, responsáveis por cerca de 9 milhões de toneladas anuais, e a interrupção do fornecimento de gás israelense ao Egito, resultaram em uma redução aproximada de 20% na oferta global de fertilizantes nitrogenados." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Entre o início da guerra e o dia 16 de abril, o preço da ureia registrou um aumento de 67%, conforme dados da StoneX Brasil." } }, { "type": "heading", "data": { "level": 2, "text": "Dependência por tipo de fertilizante" } }, { "type": "heading", "data": { "level": 3, "text": "POTÁSSIO" } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O potássio é o nutriente com o maior grau de dependência de importação do Brasil, conforme o relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios. O país produz internamente apenas cerca de 4% do que consome, importando os 96% restantes de nações como Canadá, Rússia e Bielorrússia. O cloreto de potássio se destaca como o principal produto importado nesta categoria." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O cloreto de potássio é um insumo vital para as principais culturas do país, como soja, milho, cana-de-açúcar e café, além de algodão, arroz, feijão, citros e banana. Ele fortalece as plantas, aumenta a resistência a pragas e à seca, e melhora significativamente a formação de grãos e frutos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O Brasil possui reservas conhecidas de potássio, mas a exploração em escala comercial ainda se mostra limitada. O caso mais emblemático é o da Mina de Autazes, no Amazonas, cujo projeto teria capacidade para suprir até 20% da demanda nacional. Contudo, o empreendimento enfrenta há anos um complexo processo de licenciamento ambiental, envolvendo questões relacionadas a territórios indígenas e aos impactos ambientais na região." } }, { "type": "heading", "data": { "level": 3, "text": "NITROGÊNIO" } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A dependência de nitrogênio também é elevada, girando em torno de 95%. A ureia, principal fonte desse nutriente, é quase que totalmente importada." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A ureia é amplamente utilizada em plantios como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café, pois estimula o crescimento das folhas e a formação de grãos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A produção industrial de nitrogênio no Brasil é onerosa. O processo mais empregado é a síntese de Haber-Bosch, que converte gás natural e nitrogênio atmosférico em amônia, a base para a produção de ureia, explica Carlos Cogo. O principal entrave reside no custo do gás natural no país, historicamente mais elevado do que em grandes produtores como Rússia, Estados Unidos e países do Oriente Médio, onde esse insumo energético é mais abundante e barato." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A Petrobras já operou unidades de fertilizantes nitrogenados no país, conhecidas como FAFENs (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados). Em 2013, a empresa vendeu essas unidades, o que resultou na perda de grande parte da capacidade nacional de produção de ureia." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Entretanto, em janeiro de 2026, a Petrobras anunciou a retomada das operações das FAFENs da Bahia, em Camaçari, e de Sergipe, em Laranjeiras, além de aprovar a reativação da unidade Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná." } }, { "type": "heading", "data": { "level": 3, "text": "FÓSFORO" } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O Brasil apresenta uma dependência menor de fósforo, em torno de 72%." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O fósforo é crucial para culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão, estimulando o desenvolvimento das raízes e garantindo o bom estabelecimento das plantas, especialmente nas fases iniciais do cultivo." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O país possui reservas expressivas de rocha fosfática, concentradas principalmente em Minas Gerais, Goiás e Ceará, e as explora com relativa regularidade, aponta Carlos Cogo. Projetos de destaque incluem a mina de Itataia, em Santa Quitéria (CE), com reservas estimadas em 8,9 milhões de toneladas. Além disso, outros complexos em operação, como o da EuroChem em Serra do Salitre (MG), inaugurado em 2024 com capacidade de 1 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados por ano, voltados exclusivamente ao mercado interno, indicam um caminho de expansão mais viável para o segmento de fósforo." } } ] }

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