RETÓRICA DE GUERRA
Putin justifica guerra na Ucrânia e ataca Otan em desfile do Dia da Vitória
Celebração de 09 de maio de 2026 na Praça Vermelha ocorre sob trégua e troca de mil prisioneiros, mas com segurança reforçada.
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, transformou o tradicional desfile do Dia da Vitória em uma plataforma para intensificar sua retórica belicista, justificando a guerra na Ucrânia e atacando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A decisão de usar a importante celebração, realizada neste sábado, 09 de maio de 2026, na Praça Vermelha de Moscou, para reafirmar a narrativa russa sobre o conflito, em vez de um gesto em prol da paz, reflete a complexidade e a profundidade de um confronto que segue impactando a dignidade e a vida de milhões, minando as esperanças de um cessar-fogo duradouro.
Em seu discurso de oito minutos, Putin declarou: "O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje lutam na operação militar especial. [...] Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam." Ele acrescentou com veemência: "Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre."
O evento, que durou apenas 45 minutos na Praça Vermelha, marca o feriado nacional mais reverenciado na Rússia. Ele celebra a vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista e homenageia os 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que perderam a vida no conflito histórico.
Apesar da entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano Donald Trump, a celebração foi realizada em formato reduzido e sob forte tensão. Havia temores de possíveis ataques de drones ucranianos, o que levou a uma notável ausência de exibição de armamentos e outros equipamentos militares desfilando pelas ruas de paralelepípedos da Praça Vermelha.
Tradicionalmente um palco para exibir o vasto poderio militar da Rússia, incluindo mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear, o desfile deste ano limitou a exibição de armas a telões gigantes. Neles, foram mostrados equipamentos como o míssil balístico intercontinental Yars, o novo submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57, o sistema de mísseis terra-ar S-500 e uma série de drones e peças de artilharia.
Soldados e marinheiros do país marcharam e ovacionaram Putin, que assistia ao evento sentado ao lado de veteranos russos à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin. Tropas norte-coreanas, que lutaram contra ucranianos na região russa de Kursk, também participaram da marcha.
Trégua de três dias
Após Rússia e Ucrânia acusarem-se mutuamente de violar os cessar-fogos unilaterais declarados nos últimos dias, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de três dias, de sábado a segunda-feira, 09 a 11 de maio de 2026. A iniciativa foi apoiada tanto pelo Kremlin quanto por Kiev, e os dois lados também concordaram em trocar 1.000 prisioneiros, um raro momento de cooperação em meio ao conflito.
"Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia — é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura", disse Trump a repórteres na sexta-feira, expressando a gravidade do custo humano. Ele acrescentou que "gostaria de ver uma grande prorrogação" da trégua entre os dois países.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa de Kiev de interromper o evento de sábado resultaria em um ataque maciço de mísseis contra a capital ucraniana. Moscou chegou a orientar diplomatas estrangeiros a evacuarem suas equipes em Kiev caso tal ataque ocorresse. Em resposta, o Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto irônico "permitindo" que o desfile militar russo prosseguisse e afirmando que as armas ucranianas não teriam como alvo a Praça Vermelha.
A segurança era visivelmente reforçada em Moscou. Imagens da Reuters mostravam soldados armados em caminhonetes e ruas bloqueadas ao redor do centro da capital, que, juntamente com a região metropolitana, abriga uma população de 22 milhões de habitantes. As autoridades russas também cortaram o acesso à internet no centro de Moscou e, segundo a AFP, muitas ruas da capital estavam quase vazias.
Entre os moradores, a esperança de que a paz volte logo entre os dois países é baixa. "O fim do conflito não será em breve, por mais que todos queiramos a paz", desabafou Elena, uma economista de 36 anos, à AFP, irritada principalmente com o corte da internet. "Eu preciso dela, e não tem." Da mesma forma, Daniil, de 26 anos, a caminho da academia, descreveu o dia 09 de maio como "um dia como qualquer outro". Questionado se a breve trégua seria um prelúdio para a paz, respondeu com um seco "não".
A expectativa é que Putin ainda realize reuniões bilaterais neste sábado, 09 de maio de 2026.
*Com informações das agências de notícias Reuters e AFP.
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