NOVA ESCALADA MILITAR
Putin intensifica ataques aéreos contra Kiev, abrindo nova e perigosa fase na Guerra da Ucrânia
Decisão de Vladimir Putin de mirar centros de decisão na capital ucraniana aumenta o risco de ataques indiscriminados e intensifica o temor de uso de armas nucleares táticas.
O governo de Vladimir Putin decidiu intensificar a guerra aérea contra Kiev, marcando o início de uma nova e perigosa fase na Guerra da Ucrânia. A medida, anunciada pelo Kremlin, levanta preocupações sobre o impacto na vida civil e a possibilidade de escaladas ainda maiores no conflito que já dura mais de quatro anos.
Desde segunda-feira, 25 de maio de 2026, quando a chancelaria russa recomendou que estrangeiros deixassem a capital ucraniana sob a justificativa de que centros de decisão seriam alvejados, o clima é de apreensão. A ação se seguiu a um ataque inédito com supermísseis Orechnik, empregados na véspera.
Ruslan Pukhov, diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, um renomado instituto russo, avalia que a estagnação no campo de batalha, com avanços mínimos das Forças Armadas russas, levou Moscou a recorrer a essa tática. Ele descreve o momento como o início da 'guerra das cidades', um último recurso para pressionar o inimigo.
Pukhov sugere que a Rússia aprofunda o conflito por acreditar que ainda é possível atingir objetivos maximalistas, possivelmente estabelecendo um protetorado sobre toda a Ucrânia. A intensificação dos ataques com drones ucranianos, que resultaram na morte de 21 estudantes em um dormitório, pode ter sido um gatilho para a resposta russa, segundo ele.
O conflito, iniciado em 2022, atingiu um platô, com a Rússia celebrando avanços territoriais significativos em 2025, mas enfrentando um cenário de equilíbrio em 2026. Kiev tem recuperado terreno em alguns pontos, embora a Rússia continue a conquistar pequenas localidades diariamente. Essa dinâmica abre uma janela para tentativas mais ousadas das forças ucranianas, segundo o Instituto para Estudo da Guerra (EUA).
Ao longo da linha de contato em Donetsk, a região mais disputada da Ucrânia, as condições de combate se tornaram mais perigosas. Um soldado russo, identificado apenas como Pavel, relata que o avanço se tornou quase impossível, não apenas devido a mísseis ocidentais, mas também por conta de drones baratos e de fácil desenvolvimento. A segurança das linhas de suprimento também está em risco.
O cenário também foi impactado por interrupções nas comunicações. Inicialmente, o serviço Starlink de Elon Musk teve seu uso militar restrito na Ucrânia, seguido pelo bloqueio governamental de aplicativos de mensagens e VPNs nas linhas de frente. Essa medida afetou a coordenação de ambos os lados.
Do lado ucraniano, a ameaça de Putin é vista como um ato de desespero e intimidação. Apesar da retórica desafiadora, a população de Kiev demonstra preocupação. Vitali Uchenko, engenheiro com experiência em indústria aeronáutica, expressa temor com a possibilidade de ataques diretos ao centro da cidade com o míssil Orechnik, alertando que não haveria defesa possível contra tal arma, mesmo com ogivas cinéticas.
O Orechnik, míssil balístico de alcance intermediário capaz de carregar cargas nucleares, já foi lançado três vezes contra a Ucrânia. Segundo o presidente Volodimir Zelenski, dois desses disparos ocorreram no domingo, 24 de maio de 2026. Uchenko também manifesta o receio de que Putin possa recorrer ao uso de armas nucleares táticas em face da estagnação do conflito.
Essa escalada ocorre em um contexto de tensão elevada, incluindo exercícios nucleares recentes e testes de mísseis intercontinentais russos. Há também acusações mútuas entre Moscou e a Otan sobre drones que atingiram países membros da aliança. Zelenski também alertou sobre planos de Putin de mobilizar tropas via Belarus para uma invasão no norte ucraniano.
O risco de aumento da mortalidade civil é real, o que já vem ocorrendo desde o ano passado. O congelamento das negociações de paz, antes impulsionadas por Donald Trump, agora focadas na guerra no Irã, limita as opções diplomáticas de Putin. Embora ele lucre com a crise global do petróleo, a falta de avanços militares incentiva o recrudescimento das ações em ambos os lados.
A dificuldade em qualquer negociação reside nos objetivos russos. A percepção é que Moscou, mesmo com a retirada das tropas de Kiev de parte de Donetsk, ainda exigiria mais. Essa postura seria o motivo pelo qual os Estados Unidos não pressionam a Ucrânia a ceder. A questão central para uma solução pacífica, segundo Pukhov, permanece sendo a definição do que Putin realmente almeja alcançar na Ucrânia.
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