ESQUEMA DE INTIMIDAÇÃO
Publicitário oferecia R$ 2 milhões para influenciadores defenderem Banco Master
Investigações da PF revelam que Thiago Miranda articulava monitoramento ilegal de jornalistas e manipulação da opinião pública a favor de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal deflagrou uma operação de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda na quinta-feira, 09/07/2026. A ação visa desmantelar um esquema de manipulação da opinião pública, coagir jornalistas e blindar a imagem de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, por meio do chamado “Projeto DV”.
As investigações apontam que o publicitário oferecia até R$ 2 milhões para influenciadores digitais produzirem conteúdos favoráveis ao Banco Master ou para questionar a liquidação da instituição, decretada em 2025. O esquema envolvia a contratação de agências como a GroupBR, Miranda Comunicações (Agência MiThi) e Unlimited para operacionalizar a propagação dessas narrativas.
Mais do que campanhas pagas, a estrutura montada pelo grupo atacava a dignidade profissional de comunicadores. Caso jornalistas ou influenciadores recusassem os valores — muitas vezes atrelados a contratos de confidencialidade com multas de até R$ 800 mil —, o grupo passava a utilizar informações privadas e sigilosas, obtidas ilicitamente, para constranger as vítimas.
Relatórios da corporação detalham um monitoramento sistemático contra profissionais da imprensa, incluindo Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. O grupo compilava dados sensíveis, como renda estimada, movimentações bancárias e detalhes sobre familiares, na tentativa de descredibilizar publicamente quem investigava o caso Master. Em outro episódio, houve tentativas de forçar a remoção de reportagens críticas, com relatos de sucesso junto a fontes que cederam à pressão.
A defesa de Thiago Miranda refutou as acusações, declarando em nota que sua atuação profissional sempre pautou-se pela legalidade e transparência. O publicitário colocou-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e ressaltou que a existência da investigação não deve antecipar juízos de culpa.
O caso, que integra o escopo da investigação Compliance Zero, segue em trâmite no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça. Cabe recurso das medidas cautelares e ordens judiciais expedidas no curso deste procedimento.
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