SUSTENTABILIDADE E RENDA

Produtores da RECA em Rondônia transformam floresta em pé em fonte de renda sustentável

Vista de área preservada e cultivada por cooperados da RECA em Rondônia.
Propriedade de cooperado da RECA no distrito de Nova Califórnia, Porto Velho (RO).

Iniciativa de compensação por créditos de carbono em Nova Califórnia eleva o bem-estar de famílias rurais e promove a preservação ambiental na Amazônia.

Produtores rurais vinculados à cooperativa RECA (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado), sediada no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho (RO), encontraram na conservação da vegetação nativa um modelo de desenvolvimento econômico. Nesta segunda-feira, 13/07/2026, a iniciativa ganha destaque por unir a exploração de produtos da sociobiodiversidade, como Cupuaçu e castanha, à remuneração direta pela manutenção da floresta em pé.

O impacto do mercado de carbono

O modelo operacional consiste na venda de créditos de carbono, calculados com base no desmatamento evitado em áreas sob forte pressão ambiental. A Natura, parceira de longa data da RECA, atua como compradora desses créditos para compensar emissões de CO2. Segundo Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da empresa, o projeto já evitou o desmatamento de cerca de 1,5 mil hectares e a emissão de 392 mil toneladas de CO2 equivalente.

Transformação social e sucessão familiar

Estudos realizados pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), concluídos em 2025, revelam que a renda média dos cooperados participantes é 37% superior à de produtores fora do projeto. Além do retorno financeiro, o impacto se reflete na educação: 25% dos filhos dessas famílias acessam o ensino superior, ante 4% no grupo comparativo. Giancarlo Souza de Lima, diretor comercial da RECA, reforça que a iniciativa permite a permanência no campo com dignidade, utilizando Sistemas Agroflorestais (SAF) de forma integrada.

A cooperativa também foca na sucessão familiar, estruturando lideranças jovens e femininas para garantir a continuidade da gestão iniciada há mais de 37 anos. Com o suporte técnico e a valorização econômica da floresta, a nova geração de produtores em Rondônia reafirma o compromisso com a preservação como um ativo de valor crescente.

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