CLIMA E PREVISÃO

Primeiro semestre de 2026 registra 18% a mais de chuva em Rio Branco

Registro de chuvas em Rio Branco no primeiro semestre de 2026
Chuvas nos seis primeiros meses do ano ficaram acima dos 18% em relação ao mesmo período do ano passado — Foto: Victor Lebre/g1

Dados da Defesa Civil Municipal indicam acúmulo atípico influenciado por temporais isolados, enquanto a cidade se prepara para uma estiagem severa.

O primeiro semestre de 2026 registrou um aumento de 18% no volume de precipitações em Rio Branco, conforme apontam os dados oficiais da Defesa Civil Municipal. A decisão de monitoramento detalhado foi consolidada com base nos registros colhidos entre janeiro e junho, quando a capital acumulou 1.557,5 milímetros de chuva, superando significativamente os 1.321,2 milímetros contabilizados no mesmo período de 2025.

Esta variação pluviométrica, confirmada nesta sexta-feira, 10/07/2026, é motivo de alerta para as autoridades locais. Embora os números apontem para um semestre mais úmido, a distribuição dessas chuvas foi irregular, marcada por episódios isolados de alta intensidade que não garantem, na prática, o alívio necessário para os desafios climáticos projetados para o restante do ano.

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou ao g1 que a neutralidade climática favoreceu oscilações, mas alertou que a dinâmica observada não afasta a expectativa de uma seca severa. Em junho, por exemplo, o acumulado de 106 milímetros foi impulsionado por um único evento de 103 milímetros em um só dia. Sem esse fator atípico, o mês teria registrado apenas 3 milímetros.

A preocupação central reside na aproximação do fenômeno El Niño, que deve elevar as temperaturas e reduzir a umidade na Amazônia. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e, segundo a NOAA (agência climática dos Estados Unidos), há mais de 80% de chance de formação ainda em 2026.

Apesar da cheia relativa do Rio Acre, que marcou 2,30 metros em 09/07/2026 — valor superior ao 1,83 metro registrado na mesma data em 2025 —, a Defesa Civil mantém o estado de prontidão. Estratégias preventivas já estão em curso, incluindo a escavação de poços e o reforço em brigadas, visando mitigar o impacto da estiagem sobre o abastecimento de água e a dignidade das comunidades mais vulneráveis frente ao calor extremo.

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