RISCO NO AGRO

Pressão financeira no campo aumenta o risco de pirataria de sementes

Plantação de soja sob cuidados técnicos no campo.
Produtores rurais enfrentam pressão econômica que eleva a vulnerabilidade à compra de insumos ilegais.

Crise climática e endividamento elevam a busca por insumos irregulares, comprometendo a produtividade e o investimento em inovação no Brasil.

O avanço do mercado ilegal de sementes no Brasil ganha força diante de um cenário de margens operacionais apertadas e endividamento crescente dos produtores rurais. A diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CropLife Brasil, Catharina Pires, alerta que a descapitalização do campo torna os agricultores mais vulneráveis a ofertas de insumos com preços reduzidos, porém de procedência duvidosa.

O impacto dessa dinâmica é sentido com maior intensidade em estados como o Rio Grande do Sul, onde a sucessão de eventos climáticos extremos, como estiagens e enchentes, fragilizou a estrutura financeira das propriedades rurais. De acordo com a executiva, a busca por economia imediata coloca em risco a viabilidade das próximas safras e a segurança produtiva dos agricultores.

A preocupação das empresas associadas à CropLife Brasil, exposta em um cenário econômico desafiador que inclui oscilações de câmbio e nos preços de commodities, levou à intensificação do diálogo com órgãos de fiscalização. O setor argumenta que a concorrência desleal das sementes ilegais inibe a capacidade de investimento das empresas legítimas em pesquisa e inovação tecnológica.

O último levantamento realizado pela CropLife Brasil em conjunto com a consultoria Celeres, divulgado em 2024, dimensionou a gravidade do problema. Naquela ocasião, estimou-se que 11% das sementes de soja utilizadas no país eram ilegais, com a proporção atingindo quase 30% no Rio Grande do Sul.

Os prejuízos econômicos apontados pela pesquisa são expressivos, alcançando R$ 10 bilhões anuais em toda a cadeia produtiva. Além do rombo na arrecadação tributária, que pode chegar a R$ 1 bilhão em uma década, o uso de material irregular reflete diretamente na produtividade: o estudo indicou uma perda média de 17% — cerca de quatro sacas por hectare — na comparação com o uso de sementes certificadas na safra 2023/24.

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