GOVERNO APERTA BIG TECHS

Presidente Lula reitera não ser contra a internet após endurecer regras para big techs

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um discurso em um evento.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em Aracruz (ES).

Apesar de novas medidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a democratização do acesso à informação, criticando o domínio dos algoritmos sobre o comportamento humano.

Nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não ser contra a internet, mas expressou preocupação com o poder dos algoritmos nas plataformas digitais e a perda de controle dos usuários sobre o conteúdo que consomem. A declaração ocorre um dia após o Governo Federal publicar decretos que aprofundam a responsabilidade das big techs e estabelecem novas diretrizes para a atuação dessas empresas no Brasil. Lula participou do discurso durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES).

O presidente destacou a importância da internet como ferramenta de revolução, mas ressaltou que o cerne de sua crítica reside na forma como os algoritmos passaram a moldar o comportamento e a influenciar o consumo de informações nas redes sociais. “Não é nós que estamos dominando os algoritmos. São eles que estão dominando”, declarou, enfatizando a necessidade de os usuários recuperarem o controle sobre sua experiência online.

Na quarta-feira, 20 de maio de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva sancionou quatro projetos de lei e dois decretos focados na proteção de mulheres no ambiente digital e na regulamentação das plataformas. Um dos principais pontos determina que as empresas de tecnologia removam imagens íntimas divulgadas sem consentimento em até duas horas após a notificação, mesmo sem a necessidade de ordem judicial. As plataformas também ficam obrigadas a guardar evidências para futuras investigações e a implementar canais dedicados a denúncias de violência digital contra mulheres.

Adicionalmente, um novo decreto modifica as normas do Marco Civil da Internet, aumentando a responsabilização das empresas por conteúdos ilícitos. O texto exige que as plataformas adotem medidas preventivas contra fraudes, exploração sexual infantil, terrorismo, violência contra mulheres e golpes digitais. As novas regras também abordam a transparência algorítmica, o combate à desinformação, a proteção de crianças e adolescentes e a prevenção de deepfakes sexuais criados por inteligência artificial.

Embora as medidas estabeleçam diretrizes importantes, elas não definem critérios objetivos para a remoção de conteúdo nem especificam sanções administrativas. A fiscalização dessas novas normas ficará a cargo da Agência Nacional de Proteção de Dados. As penalidades podem variar desde advertência e multas de até 10% do faturamento até a suspensão temporária das atividades ou proibição de funcionamento, conforme previsto no Marco Civil da Internet.

Durante o evento em Aracruz, Lula também reconheceu o potencial da inteligência artificial para impulsionar avanços em áreas como saúde, educação e engenharia. Contudo, ele criticou veementemente seu uso em campanhas políticas, afirmando que “a inteligência artificial é um bem muito grande para a humanidade. Mas não poderia ser limpa na política, porque você não pode votar em mentira”.

A cerimônia marcou a retomada da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura após 12 anos. O evento reuniu representantes da cultura popular, povos tradicionais e integrantes da rede Cultura Viva, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do senador Fabiano Contarato (PT-ES) e do ministro interino da Saúde, Adriano Massuda.

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