INTERNET INTERNACIONAL LIBERADA

Presidente do Irã ordena reabertura do acesso internacional à internet após bloqueio de 87 dias

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Decisão do presidente Masoud Pezeshkian encerra período de restrições que dificultou comunicação e acesso à informação para a população. Especialistas alertam para riscos de futuras interrupções.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, determinou a reabertura do acesso internacional à internet no país, encerrando um período de 87 dias de restrições severas, conforme noticiado pela mídia estatal nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026. A decisão foi confirmada pelo chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações do Irã, reforçando a importância da conectividade para a sociedade. Segundo o observatório digital NetBlocks, a maioria dos iranianos estava impedida de acessar a rede mundial. Apenas uma parcela restrita da população conseguia manter contato com o exterior por meio de VPNs de alto custo e complexidade técnica, configurando um acesso limitado e desigual. As restrições ao acesso à internet no Irã têm sido duramente criticadas por órgãos internacionais e defensores dos direitos digitais. Tais bloqueios frequentemente coincidem com momentos de instabilidade política e social, afetando diretamente a liberdade de expressão e o direito à informação dos cidadãos. Apesar da ordem de reabertura, ainda não há informações claras sobre quando o serviço será completamente restabelecido ou se haverá algum tipo de limitação parcial. O histórico de restrições digitais no Irã é preocupante. Em janeiro de 2026, o nível de conectividade caiu para aproximadamente 1% do normal, impactando os cerca de 90 milhões de habitantes do país. Bloqueios generalizados e interrupções digitais são táticas recorrentes do regime iraniano. Essas medidas são frequentemente implementadas durante manifestações populares contra o governo ou em períodos de alta tensão militar e política, visando controlar a circulação de informações e reprimir a organização de protestos. Em fevereiro de 2026, durante o início de operações militares dos Estados Unidos e de Israel, o governo voltou a impor um apagão digital. Por mais de uma semana, a conectividade permaneceu em torno de 1% dos níveis usuais, de acordo com o NetBlocks. Durante esses períodos de isolamento digital, atividades cotidianas como o uso do Google Maps ou o acesso a sites internacionais tornam-se inviáveis. Apenas a intranet nacional, sob controle governamental e com funcionalidade restrita, permanece acessível. Relatos divulgados pela agência Deutsche Welle detalharam dificuldades extremas na realização de chamadas telefônicas, tanto para celulares quanto para telefones fixos, durante o período de apagão. Esta foi a terceira vez que o Irã implementou um bloqueio geral de internet. As ocorrências anteriores ocorreram em 2019, durante protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, e em 2022, após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente desrespeitar normas de vestimenta islâmica. Em 2025, o governo iraniano chegou a acusar a Meta de espionar usuários através do WhatsApp e de colaborar com Israel, alegações que a empresa negou, ressaltando a criptografia de ponta a ponta das mensagens. O bloqueio da Starlink também foi parcialmente observado. Amir Rashidi, diretor do Miaan Group, relatou que o governo iraniano utilizou equipamentos de interferência de sinal (jammers) próximos às antenas da Starlink, na tentativa de impedir o funcionamento do serviço. Na ocasião, a Proton VPN comunicou a diminuição das conexões do Irã devido ao "desligamento completo da internet". O NetBlocks também documentou o isolamento da população do mundo exterior. Especialistas explicam que governos podem suspender o acesso à internet ao instruir operadoras a interromperem sinais transmitidos por cabos e antenas. No entanto, a internet via satélite apresenta desafios maiores para o bloqueio, pois as empresas podem operar sem infraestrutura física dentro do país. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, aponta que a estratégia do Irã tem sido o uso de técnicas de jamming para embaralhar os sinais entre satélites e antenas. Pesquisadores e ativistas alertam que o isolamento digital prejudica a organização de protestos, restringe a disseminação de informações independentes e facilita a propagação de propaganda governamental. Adicionalmente, em cenários de conflito, a interrupção da internet pode impedir que civis recebam alertas de segurança e evacuação em tempo real, colocando vidas em risco.

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