RECUSA NA CÂMARA

Presidente da Câmara, Hugo Motta, sinaliza a Davi Alcolumbre que projeto polêmico do Senado não deve ser votado

Davi Alcolumbre e o Deputado Hugo Motta
Davi Alcolumbre e o Deputado Hugo Motta

Hugo Motta (Republicanos-PB) disse a Davi Alcolumbre (União-AP) que não se comprometeu em votar proposta de renegociação de dívidas rurais com impacto fiscal de R$ 140 bilhões em 10 anos, aprovada pelo Senado na quarta-feira (10/6). O governo, preocupado com a pauta-bomba, também pressiona para que o texto não avance na Casa.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que a Casa não deve votar o projeto de renegociação de dívidas rurais que recebeu aprovação no Senado na quarta-feira, 10 de junho de 2026. A proposta, considerada uma “pauta-bomba” devido ao seu potencial impacto fiscal, pode custar R$ 140 bilhões ao longo de dez anos.

Segundo informações obtidas, Alcolumbre contatou Motta antes mesmo da votação no Senado. O senador questionou se o projeto seria pautado na Câmara caso fosse aprovado pelos seus pares. Motta, no entanto, não ofereceu garantias, alegando desconhecimento sobre o texto.

Motta relembrou que a Câmara analisou um projeto similar em 2025 apenas por beneficiar agricultores atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Na ocasião, ele mesmo vetou uma emenda que visava estender o benefício a produtores do Nordeste, proposta pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), devido ao alto impacto fiscal.

O governo federal também manifestou preocupação com a aprovação da matéria no Senado. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ligou para Motta na manhã desta quinta-feira, 11 de junho de 2026, em um apelo para que a Câmara não vote o projeto. Guimarães relatou que o presidente Lula está insatisfeito com a aprovação da pauta-bomba, especialmente pelo envolvimento de senadores da base aliada na articulação.

Diante da pressão, Motta relatou a líderes da Câmara que também sofre pressão da bancada ruralista para aprovar a proposta. Contudo, o presidente da Casa tem sinalizado uma postura responsável, buscando evitar riscos fiscais desnecessários para o país.

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