ALERTA FINANCEIRO

Prejuízo da Aeris Energy aumenta 40% e preocupa investidores

Imagem aérea de uma fábrica de pás eólicas da Aeris Energy ao pôr do sol, com turbinas eólicas ao fundo.
Fábrica de pás eólicas da Aeris Energy, símbolo dos desafios do setor.

Empresa de pás eólicas reporta perda de R$ 138 milhões no primeiro trimestre de 2026, com dívida crescente.

A Aeris Energy, gigante na fabricação de pás eólicas, anunciou um prejuízo líquido de R$ 138,0 milhões referente ao primeiro trimestre de 2026, conforme divulgado nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. Este resultado, que representa uma piora de 40% em relação ao prejuízo de R$ 98,354 milhões registrado no mesmo período de 2025, expõe os desafios contínuos da companhia, impulsionados pela baixa utilização da capacidade produtiva e pela retração do mercado doméstico. A performance preocupa investidores e colaboradores, indicando um período de instabilidade em um setor crucial para a transição energética do Brasil.

Em contraste, a companhia demonstrou uma melhoria expressiva de 71% sobre o quarto trimestre de 2025, quando o prejuízo atingiu R$ 477,5 milhões.

O Ebitda ajustado, que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, reverteu para um resultado negativo de R$ 27,47 milhões entre janeiro e março deste ano. No mesmo período de 2025, a empresa havia reportado um Ebitda positivo de R$ 5,58 milhões, evidenciando uma mudança drástica na sua performance operacional.

Comparado ao último trimestre de 2025, o Ebitda negativo de R$ 60,56 milhões representou uma melhora de 54,64%. O presidente da Aeris Energy, Alexandre Negrão, explicou que a pressão sobre o indicador persistiu devido à subutilização da capacidade produtiva e à diluição insuficiente dos custos fixos, fatores que continuam a desafiar a rentabilidade da companhia.

A margem Ebitda ajustada registrou um preocupante patamar negativo de 26,0%, uma queda de 28,7 pontos percentuais (p.p.) comparado ao primeiro trimestre de 2025. Contudo, em relação ao trimestre imediatamente anterior, a margem apresentou uma recuperação de 26,9 p.p.

No que tange à receita operacional líquida, a Aeris Energy alcançou R$ 105,6 milhões no primeiro trimestre de 2026. Este montante representa uma expressiva diminuição de 49,8% em comparação aos R$ 210,36 milhões apurados entre janeiro e março de 2025, e uma retração de 7,8% em relação aos R$ 114,52 milhões registrados no trimestre anterior, de outubro a dezembro de 2025.

A própria empresa atribuiu este desempenho a uma tendência de retração contínua, reflexo direto da diminuição da atividade no mercado interno. A persistência de um cenário doméstico mais cauteloso e a carência de novos contratos significativos impactaram diretamente os volumes de vendas no Brasil, gerando incertezas sobre a recuperação a curto prazo.

Ao final de março de 2026, a dívida líquida da companhia alcançou R$ 1,864 bilhão, um acréscimo de 4,2% (equivalente a R$ 75 milhões) em relação aos R$ 1,789 bilhão registrados no encerramento de dezembro de 2025. Este aumento na alavancagem financeira intensifica a pressão sobre a gestão da Aeris.

As despesas financeiras líquidas somaram R$ 95,98 milhões, um aumento de 24,1% comparado ao primeiro trimestre de 2025 e de 11,4% em relação ao quarto trimestre de 2025. A Aeris justificou essa elevação pelo encarecimento dos juros e outros encargos de operações financeiras, empréstimos e financiamentos, o que corrói ainda mais a margem da empresa.

Por outro lado, as despesas operacionais demonstraram um ponto positivo, totalizando R$ 36,5 milhões no período. Isso representa uma redução de R$ 24 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025 e de R$ 8,2 milhões comparado ao ano anterior, desconsiderando o impacto pontual do Impairment.

A divulgação da alavancagem financeira, um dado crucial para a análise de risco, foi omitida pela Aeris Energy. A empresa explicou que, após a renegociação de dívidas no primeiro trimestre de 2025, os covenants financeiros foram alterados, dispensando a necessidade de monitorar este índice, o que pode gerar questionamentos sobre a transparência da situação financeira da companhia.

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