ENCONTRO DE ELITES
Portugal recebe 14º Fórum de Lisboa com participação reduzida de autoridades brasileiras
Edição de 2026 do evento organizado por Gilmar Mendes conta com menos ministros e governadores, mas busca expansão internacional com foco em temas globais.
O 14º Fórum de Lisboa iniciou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, em Portugal, reunindo um número reduzido de autoridades brasileiras em comparação com edições anteriores. A decisão de reduzir a presença de figuras políticas e judiciárias foi acompanhada por uma estratégia de expansão internacional, buscando abordar temas globais. O evento, que se consolidou como um ponto de encontro do establishment brasileiro, agora mira em discussões mais abrangentes, refletindo a evolução de sua proposta.
A edição deste ano contará com 2 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 11 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e 4 do Tribunal de Contas da União (TCU). O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou 3 ministros, além de 1 governador e 18 congressistas. Apesar da diminuição geral, o número de representantes do Legislativo aumentou em relação a 2025. O Fórum de Lisboa, apelidado de "Gilmarpalooza" em referência ao festival Lollapalooza, sempre ofereceu um espaço para o diálogo entre autoridades, empresários, advogados e lobistas sobre o Brasil em solo português.
Em 2026, o evento propõe uma mudança de foco, intitulando-se "Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais". A programação incluirá debates sobre a relação de líderes mundiais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com conflitos globais. O ministro Gilmar Mendes, decano do STF e um dos anfitriões, minimizou a redução de autoridades, classificando-a como normal em um ano eleitoral. Ele destacou a presença de renomados nomes internacionais, como o economista Joel Mokyr e o jornalista Thomas Friedman, reforçando a pretensão de internacionalização do fórum.
A lista de presenças inclui também o ministro Alexandre de Moraes, que participará de um painel sobre "Democracia, populismo e polarização ideológica". A ausência de outros nomes como Roberto Barroso (aposentado em 2025) e André Mendonça, que esteve presente em 2025, marca a dinâmica deste ano. A redução de participantes se estende a governadores, com apenas Wanderlei Barbosa confirmado, e a ministros do STJ e TCU.
Questões domésticas de relevância eleitoral também serão abordadas. Ministros como Alexandre Silveira discutirão soberania nacional, enquanto Paulo Henrique Pereira debaterá os impactos da redução da jornada de trabalho. Painéis sobre fraudes digitais, com a participação de André Esteves, e o futuro da economia brasileira, com Gabriel Galípolo e Magda Chambriard, compõem a agenda. O Fórum também abordará segurança pública, tecnologia, apostas online, regulação digital, inteligência artificial e acordos comerciais.
A prática de festas e jantares privados oferecidos por empresas a participantes é vista por críticos como um contato inadequado entre o setor privado e o Judiciário. Gilmar Mendes, contudo, defende que esses encontros permitem a reflexão sobre temas contemporâneos e a troca de experiências, preparando os magistrados para suas funções. Entre os empresários confirmados estão André Esteves (BTG Pactual), Fábio Chilo (JBS), Luiza Trajano (Magazine Luiza), Luiz Carlos Trabuco Cappi (Bradesco), Ricardo Faria (Grupo Granja Faria), Fábio Gaspar (Shell Brasil), Eduardo Lopes (Nubank), Anderson Baranov (Norsk Hydro Brasil) e Eduardo Sattamini (Engie Brasil).
O 14º Fórum de Lisboa, realizado de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa, é organizado pelo IDP, FGV Justiça e LPL. O IDP, fundado por Gilmar Mendes, Paulo Gonet Branco e Inocêncio Mártires Coelho, busca promover o debate democrático e a reflexão sobre desafios globais. O evento conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, uma chancela que reconhece sua relevância institucional, acadêmica e cívica.
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