ABUSO E VIOLAÇÃO

Policial militar alterou cena de crime após morte de jovem em Piracicaba

Viaturas da Polícia Militar em operação na cidade de Piracicaba.
Relatório do MP expõe falhas e manipulações em ocorrências da PM em Piracicaba.

Relatório do Ministério Público aponta manipulação de provas e extorsões em abordagens; autoridades recomendam uso imediato de câmeras corporais na corporação.

Um policial militar alterou a cena do crime ao recolher pedras logo após disparar contra Gabriel Júnior Oliveira Alves da Silva, de 22 anos, durante uma abordagem em abril de 2025, na cidade de Piracicaba (SP). O episódio integra um extenso relatório do Ministério Público (MP) que denuncia uma série de irregularidades, incluindo simulação de flagrantes, extorsões e fragilidades deliberadas na produção de provas por parte de agentes. Segundo o documento, o agente utilizou as pedras recolhidas para justificar o disparo, alegando falsamente que a vítima as teria arremessado contra a equipe. Laudos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica e o relatório da Polícia Civil confirmaram que tais objetos não foram encontrados no local pela perícia, sendo apresentados posteriormente pela própria Polícia Militar. Embora os dois policiais envolvidos na ação tenham chegado a ser presos, ambos obtiveram liberdade provisória em dezembro de 2025. O comportamento dos agentes tem gerado profundos impactos na confiança da sociedade e na integridade das investigações. O relatório do MP destaca que a combinação entre a ausência de registros objetivos, a demora documental e o manejo indevido de vestígios compromete a busca pela justiça e a dignidade das famílias atingidas. Em outro caso grave ocorrido em janeiro de 2026, um policial chegou a exigir drogas e um fuzil de um homem como condição para não realizar uma prisão arbitrária, sob ameaça de morte na frente da família da vítima. Diante do aumento da letalidade policial em Piracicaba, que superou a média estadual em 2025, o Ministério Público encaminhou recomendações urgentes a diversos órgãos, incluindo a Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria da Polícia Militar. Entre as medidas solicitadas, destacam-se a implementação de câmeras corporais, o protocolo rigoroso de preservação de cenas de crime e auditorias periódicas nas ocorrências. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que acompanha os indicadores e que enviou um estudo técnico ao Ministério Público para análise da legalidade das condutas. O processo segue em curso, com apurações sobre a conduta dos agentes envolvidos.

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