INVESTIGAÇÃO COMPLEXA

Polícia Federal solicita mais tempo para apurar fraudes em descontos do INSS

Fachada do prédio da Polícia Federal em Brasília.
Investigações sobre esquema de fraudes nos descontos associativos do INSS seguem em andamento.

Falta de efetivo e escassez de prazos marcam o avanço das apurações sobre descontos indevidos. Detalhes sobre acordos de delação premiada e envolvimento de figuras públicas.

A Polícia Federal (PF) solicitou um novo prazo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para finalizar as investigações sobre um esquema de fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A justificativa apresentada pelos investigadores aponta para a falta de efetivo de agentes e a impossibilidade de fixar uma data para a conclusão do inquérito. A comunicação foi encaminhada ao gabinete do ministro há cerca de 15 dias, em resposta a um pedido de atualização sobre o andamento das apurações.

As apurações, desdobramento da Operação Sem Descanso iniciada em abril de 2025, visam desarticular um esquema nacional de fraudes que consistia no acesso indevido a valores de beneficiários do INSS. As investigações apontam para uma articulação envolvendo membros da estrutura governamental, sindicatos, associações de aposentados e empresas de seguro, que facilitavam a realização de cobranças irregulares diretamente nos benefícios previdenciários, sem o consentimento dos titulares.

Entre os principais alvos da operação estão o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, que foi preso preventivamente por atuar como facilitador das fraudes, conforme determinação do ministro André Mendonça. As investigações buscam esclarecer a logística interna da Previdência Social e o núcleo político-institucional responsável pela autorização dos pagamentos indevidos.

No decorrer do processo, o Poder360 antecipou que dois acordos de delação premiada estão em andamento, com a inclusão da Procuradoria-Geral da República (PGR). As propostas apresentadas pelas defesas de Maurício Camisotti, empresário apontado como um dos líderes do esquema, e André Fidelis, ex-diretor do INSS, já apresentaram informações relevantes aos investigadores. Camisotti, preso preventivamente desde setembro de 2025, é investigado por lucrar quantias bilionárias com a venda de seguros e planos associativos, operando descontos fraudulentos nas aposentadorias.

Camisotti já havia firmado um acordo de delação em abril de 2026, mas as negociações foram retomadas para envolver a PGR. Ele confessou a existência do esquema de fraude na autorização dos descontos. Paralelamente, a proposta de delação de André Fidelis, preso desde novembro de 2025 e considerado pela PF um dos principais agentes públicos envolvidos, também caminha para ser aceita. Ele é acusado de receber R$ 3,4 milhões em propinas do operador financeiro Antônio Carlos Carrilho, o Careca do INSS.

A decisão de pedir mais tempo para concluir a investigação demonstra a complexidade do caso e a necessidade de aprofundamento das apurações para garantir a justiça e a proteção dos direitos dos segurados. A atuação da PF, mesmo diante de limitações de recursos humanos, reforça o compromisso em combater crimes que afetam diretamente a dignidade e o sustento de milhares de cidadãos.

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