Benefícios suspeitos

Polícia Federal investiga senador Jaques Wagner por supostos benefícios do Banco Master

Senador Jaques Wagner
Senador Jaques Wagner é investigado pela PF por supostos benefícios do Banco Master.

PF aponta viagens aéreas, apartamento e show internacional em conexão com o Banco Master. Decisão partiu do STF, nesta quinta-feira (18), na 9ª fase da Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal investiga se o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu benefícios indevidos por meio de pessoas ligadas ao Banco Master. As suspeitas incluem o uso de aeronaves particulares, ingressos para um show internacional em Los Angeles, e a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador. A informação surge na ninth fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, nesta quinta-feira, 18 de abril de 2024. O senador é apontado como o “beneficiário central” de vantagens econômicas concedidas por integrantes do Banco Master, segundo a decisão que fundamentou a operação.

A ligação de Jaques Wagner com o caso, conforme a apuração da PF, seria através do empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e também alvo da operação. Em novembro de 2024, Wagner teria discutido com Lima a aquisição de um imóvel em Salvador, informando detalhes como a unidade 1702 e o preço de R$ 2,45 milhões. Em outra frente, a investigação aponta que, em novembro de 2023, Wagner solicitou ingressos para um show de uma cantora internacional na Califórnia, com custo estimado em R$ 63,3 mil, recebendo confirmação do empresário sobre a disponibilidade.

A Polícia Federal também relata que Jaques Wagner teria utilizado aeronaves ligadas a Augusto Lima sem custos. Em outubro de 2023, um helicóptero teria sido disponibilizado para transportar o senador e familiares entre Salvador e a “Ilha da Paixão”, propriedade do empresário. Em abril de 2024, o senador teria solicitado a Lima o contato de um piloto para uma viagem ao Rio de Janeiro. Para a PF, essas vantagens estariam relacionadas à atuação de Wagner no Congresso Nacional em benefício do Banco Master.

A defesa de Augusto Lima classificou as medidas da Polícia Federal como “desnecessárias”, afirmando que o empresário colabora com as autoridades há cerca de seis meses e que as diligências comprovarão a licitude dos fatos. Em nota, os advogados de Lima ressaltaram que ele sempre atuou com transparência e observância das normas legais. Até fevereiro de 2024, Jaques Wagner negava qualquer ligação com irregularidades do Banco Master, descrevendo o caso como “falcatruas”.

A investigação também revisita a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima durante a gestão de Wagner na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, em 2017. Naquele período, o governo estadual procedeu com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra a rede de supermercados Cesta do Povo. O ativo, em dificuldades financeiras, foi arrematado por Augusto Lima por R$ 15 milhões. O edital da privatização incluía a operação do cartão consignado Credcesta, de interesse para Augusto Lima. Wagner já admitiu em declarações anteriores ter se reunido com Lima para agilizar a privatização, quando fazia parte da gestão do então governador Rui Costa. Após o leilão, o governo baiano concedeu exclusividade de mercado ao Credcesta por 15 anos, e Augusto Lima posteriormente firmou parceria com o Banco Master para a administração do cartão, tornando-se sócio de Daniel Vorcaro.

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