LAVA JATO DE COMBUSTÍVEIS

Polícia Federal investiga rede de postos que movimentou R$ 7,6 bilhões em lavagem de dinheiro

Fachada da sede da Polícia Federal em Brasília.
Polícia Federal investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis.

Sexta fase da Operação Unha e Carne cumpre 19 mandados de busca e apreensão e apura o uso de postos para ocultação de valores, com possível envolvimento de agentes públicos.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 07 de julho de 2026, a sexta fase da Operação Unha e Carne. A ação judicial tem como alvo uma organização criminosa suspeita de utilizar uma extensa rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para a prática de lavagem de dinheiro. A investigação aponta para a possível participação de agentes públicos no esquema, que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos, conforme indicam relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A operação conta com o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e no Rio de Janeiro. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores, bem como a suspensão das atividades econômicas das empresas associadas ao grupo investigado. Os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, com a possibilidade de surgirem novas acusações durante o progresso das investigações.

A sexta fase da Operação Unha e Carne está inserida na Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa da Polícia Federal focada em desmantelar organizações criminosas atuantes no Rio de Janeiro. Esta ação segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que visa combater a criminalidade e garantir a ordem pública no estado.

A Operação Unha e Carne já teve cinco fases anteriores, realizadas entre dezembro de 2025 e julho de 2026. Inicialmente focada na apuração de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, as investigações evoluíram e passaram a incluir suspeitas de conexões entre agentes públicos e membros de organizações criminosas. Desdobramentos anteriores da operação levaram à mira de figuras como o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e à prisão do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Mais recentemente, na quinta fase deflagrada em 2 de julho de 2026, a PF prendeu o pastor Marcio Poncio e executou mandados contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, além de Bacellar, com determinação do STF para a prisão preventiva e bloqueio de bens.

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