ARMAS DE BOLSONARO
Polícia Federal investiga paradeiro de armas de Bolsonaro após entrega parcial ao STF
Após ordem de Alexandre de Moraes, Exército Brasileiro entregou seis das dez armas registradas em nome do ex-presidente à Polícia Federal. Duas seguem desaparecidas.
Uma operação de busca e apreensão foi realizada nesta quarta-feira (8/7/2026) na residência em que Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, em Brasília (DF). A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visa esclarecer o paradeiro do armamento que estava sob posse do ex-presidente. A investigação ganha força após a entrega incompleta de dez armas registradas em seu nome ao Exército Brasileiro e posteriormente à Polícia Federal (PF).
O caso ganhou destaque a partir da apreensão, em 15 de junho, de uma pistola Glock 9 mm pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) durante uma abordagem a um agente de segurança. Essa apreensão desencadeou a abertura de um inquérito. O Metrópoles, através da coluna de Mirelle Pinheiro, foi o primeiro veículo a noticiar o fato. Em depoimento, Bolsonaro admitiu a propriedade da arma, que estava em sua casa no condomínio Solar de Brasília, justificando a posse pela presença de "três mulheres em casa" e a necessidade de "não ficar desarmado."
Diante da situação, Alexandre de Moraes determinou que Jair Bolsonaro entregasse todas as suas armas de fogo, totalizando dez itens, além de cancelar seu porte e seu registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). A ordem judicial estabeleceu um prazo rigoroso de 48 horas para que o armamento sob custódia fosse repassado à PF.
Em resposta à determinação, o Exército Brasileiro informou, na noite de segunda-feira (6/7/2026), que repassou seis armas registradas em nome do ex-presidente à Polícia Federal. A confirmação do envio foi feita pelo comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, diretamente ao ministro Alexandre de Moraes. Contudo, o relatório oficial do Exército gerou um mistério: apenas seis das dez armas foram localizadas e entregues, frustrando a expectativa inicial do Judiciário e dos investigadores, que esperavam a transferência integral do arsenal.
O que falta ser encontrado?
- Pistola Glock 9 mm: apreendida pela PMDF e atualmente sob posse da Polícia Civil.
- Espingarda Maestro Arms Company (calibre 12): a localização exata desta arma gerou questionamentos formais do ministro do STF. Essa arma não foi encontrada nas dependências do Exército.
Duas armas específicas não foram encontradas nas instalações militares: uma pistola Glock de calibre 9 mm, que é a mesma apreendida pela PMDF, e uma espingarda fabricada pela Maestro Arms Company, de calibre 12. As localizações exatas desses itens passaram a ser questionadas formalmente pelo ministro do STF.
Defesa alega presente e guarda terceirizada para uma das armas
Diante do impasse e da pressão judicial, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou uma petição no STF na segunda-feira (6/7/2026) para justificar a ausência de parte dos itens. Os advogados explicaram a Moraes que a espingarda calibre 12 da Maestro Arms Company nunca esteve sob posse direta do cliente ou do Exército. Segundo a justificativa apresentada, a arma permanece, desde a aquisição, sob a guarda e responsabilidade da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, no Rio Grande do Sul. A alegação é de que o armamento foi oferecido como presente e aguarda trâmites de transferência e regularização documental.
A operação desta quarta-feira (8/7/2026), segundo o advogado João Henrique Freitas, buscava especificamente armas, munições, acessórios e documentos de registros na residência de Bolsonaro. A ação, que durou cerca de uma hora, não resultou em apreensões, conforme declarado pelo defensor. A Polícia Federal deverá realizar vistorias e cruzamento de dados nos próximos dias para verificar se as justificativas apresentadas pela defesa coincidem com a situação das armas restantes.
O "arsenal" de Bolsonaro (descrição detalhada)
- Pistola Glock 9 mm: apreendida na blitz da PMDF, está com a Polícia Civil.
- Pistola Caracal: na PF desde 2023.
- Carabina/Fuzil Caracal: na PF desde 2023.
- Pistola SIG-Sauer: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Pistola Arex: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Pistola Forjas Taurus .380: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Pistola Forjas Taurus .40: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Carabina/Fuzil Springfield Armory: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Espingarda Typhoon: estava no Exército e foi entregue à PF.
- Espingarda Maestro Arms Company: a informação é de que está em uma importadora de artigos bélicos no RS.
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